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São João custa R$ 310,7 milhões em Pernambuco e cachê médio sobe 7%

Painel do MPPE aponta estabilidade da despesa total, alta no cachê médio e redução no número de apresentações em 2026.

As festas juninas de 2026 consumiram R$ 310,7 milhões em recursos públicos em 184 municípios de Pernambuco e no Distrito de Fernando de Noronha. O balanço foi divulgado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na quinta-feira, 6 de agosto, e reúne despesas informadas para programações realizadas entre 1º de abril e 2 de julho.

O valor ficou cerca de R$ 1 milhão acima dos R$ 309,6 milhões registrados em 2025, uma variação de 0,34%. A comparação mostra forte desaceleração diante do salto ocorrido no ano anterior: em 2024, o gasto havia sido de R$ 203,2 milhões, e a passagem para 2025 representou aumento de 52,34%.

Mesmo com a estabilidade da despesa total, o cachê artístico médio subiu 7%, de R$ 49,2 mil em 2025 para R$ 52,6 mil neste ano. O painel contabilizou 3.367 artistas e 5.897 apresentações, números inferiores aos 3.555 artistas e 6.290 shows registrados no ciclo anterior. As apresentações mais caras de artistas de outros estados chegaram a R$ 1,5 milhão por show.

Segundo o promotor Hodir Flávio de Melo, coordenador do Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público e do Terceiro Setor, os indicadores mostram estabilização do nível global de investimentos. O MPPE afirma que a orientação para atenção a reajustes acima da inflação contribuiu para conter a variação dos cachês. Os dados foram enviados voluntariamente pelas prefeituras ao painel, que teve adesão de 100%, e também devem ser informados ao Tribunal de Contas do Estado.

O levantamento é uma ferramenta de transparência e acompanhamento, não uma denúncia, investigação ou condenação de gestores. Ainda assim, a combinação de gasto total praticamente estável com cachê médio maior exige escrutínio município por município: publicar valores, fontes de recursos e critérios de contratação é o mínimo para que a festa popular também respeite a responsabilidade fiscal.

Fonte: Ministério Público de Pernambuco.

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