Faltando poucos dias para a reta final da campanha, Flávio Bolsonaro se vê às voltas com o capítulo mais espinhoso do caso “Dark Horse”, a cinebiografia bilionária do pai que virou sinônimo de dor de cabeça para o pré-candidato do PL. A Revista Fórum antecipou que o material extraído do celular de Daniel Vorcaro, banqueiro preso e ex-dono do Banco Master, deve trazer novos detalhes sobre a movimentação de dinheiro por trás do filme — e, segundo o que já circula, o nome de Luciano Hang e até menções a conversas com ministros do STF entrariam na conta.
O imbróglio não é novo, mas cresce a cada revelação. Foi o Intercept quem abriu a caixa-preta em maio, mostrando trocas de mensagens entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento da produção. Da negativa inicial — “nunca conversei com ele” — Flávio passou a admitir os contatos, alegando que buscava apenas investidores para viabilizar o longa. Documentos indicam pelo menos R$ 61 milhões repassados entre fevereiro e maio do ano passado, via a Entre Investimentos e Participações, com destino a um fundo no Texas, o Havengate Development Fund, ligado a gente próxima de Eduardo Bolsonaro.
O problema, óbvio, é a origem: Vorcaro está preso desde o estouro do escândalo do Banco Master, suspeito de fraude bilionária, e o filme sobre Jair Bolsonaro custou R$ 134 milhões — quase três vezes o orçamento de “Ainda Estou Aqui”. Não é dinheiro que qualquer produtora brasileira consegue levantar com facilidade, e é exatamente esse contraste que alimenta a desconfiança sobre se a Dark Horse serviu de fachada para outra coisa.
Flávio reagiu como sempre reage: minimizando. Em live nas redes, chamou as denúncias de “maluquice” e disparou que, se é isso que a oposição tem contra ele, “vai ser no primeiro turno que a gente ganha”. Negou que Hang tenha bancado o projeto, negou o valor de R$ 400 milhões que corre por aí e negou qualquer rota via paraíso fiscal. Discurso pronto, o de sempre: tentativa do PT de desidratar a candidatura na virada da eleição.
Só que discurso pronto não é a mesma coisa que explicação. Enquanto o material do celular de Vorcaro não for todo digerido pela imprensa, cada nova leva de mensagens tende a forçar Flávio a um novo malabarismo — primeiro negar, depois admitir “só uma parte”, depois reenquadrar como perseguição. Já vimos esse roteiro antes, e ele nunca terminou bem para quem estava do lado errado da história.
Por: TonyLucas/ focobr.com




