Israel vota contra Netanyahu e ninguém chega à maioria

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Israel vota contra Netanyahu e ninguém chega à maioria

A eleição em Israel terminou sem vencedor claro e com um recado duro para Benjamin Netanyahu. Com cerca de 85% das urnas apuradas nesta quarta-feira (28), o bloco liderado pelo Likud soma 53 cadeiras, o bloco do ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot chega a 48 e os partidos árabes alcançam 19. Nenhum dos lados atinge as 61 cadeiras necessárias para governar no Knesset, de 120 lugares.

Foi a primeira eleição desde os ataques de 7 de outubro de 2023 e a guerra que se seguiu em Gaza, e funcionou como um plebiscito sobre Netanyahu. O comparecimento chegou a 77,7%, o maior desde 1999, sete pontos acima de 2022, e mais de 60 mil israelenses voltaram do exterior para votar. Mesmo assim, o primeiro-ministro não conseguiu a maioria que pedia.

O Likud continua como o maior partido isolado, mas encolhido, e o Yashar, de Eisenkot, aparece como a segunda força. “O público escolheu a mudança”, disse Eisenkot. Netanyahu evitou declarar vitória, afirmou que ainda espera os resultados verdadeiros e pediu um governo nacional de direita, falando numa oportunidade histórica para acabar com a ameaça iraniana.

A grande novidade são os partidos árabes, que devem saltar de 10 para 19 cadeiras, um recorde, e se tornar o fiel da balança. Nenhum bloco chega aos 61 sem eles, mas Netanyahu já chamou de vergonha qualquer aliança com lideranças árabes. A posição dele, que muitos analistas consideram um erro estratégico, empurra o país para um impasse que pode se arrastar por semanas.

A contagem final, que inclui cerca de 600 mil votos em envelope duplo, como os de militares, deve terminar até sexta-feira, e o resultado oficial sai em 4 de novembro. Depois disso, o presidente Isaac Herzog ouve os partidos e indica quem tentará formar o governo, com prazo de até 42 dias. Se ninguém conseguir, Netanyahu segue como interino e o país pode voltar às urnas.

Na leitura do FocoBR, o eleitor israelense mandou a conta da guerra para quem a conduziu. Netanyahu perdeu a maioria que tinha, viu os árabes crescerem como nunca e agora depende de quem ele mesmo despreza para continuar no poder. Em Israel, como no Brasil, as urnas costumam lembrar que nenhum governante é dono do país, por mais barulho que faça.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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