A tribuna da Câmara Municipal do Recife foi palco de mais um lance deplorável da extrema direita que infesta a política pernambucana, personificada na figura do vereador e candidato a deputado federal Thiago Medina (PL).Ao destilar seu desrespeito rançoso contra um protesto pacífico de organizações sociais e coletivos de mulheres negras, o parlamentar teve a pachorra de declarar publicamente que ficou “com mais medo do odor” do que das reivindicações apresentadas. É a escória do fascismo tropical saindo do esgoto para destilar um racismo e uma misoginia tão explícitos que embrulham o estômago de qualquer cidadão com o mínimo de decência.
Reduzir a manifestação de mulheres negras à ofensas olfativas é o clássico manual da patota reacionária que não tem argumentos, não tem propostas e, acima de tudo, não tem a menor noção de onde está pisando — confundindo a Casa do povo com um cercado de intolerância. Essa gente acha que pode desumanizar corpos negros e silenciar a voz de quem ousa desafiar a caretice autoritária com impunidade institucional. Trata-se de uma violência simbólica grotesca, que transborda o ranço colonial de quem olha para o povo periférico e organizado não como cidadãos, mas como ameaças a serem higienizadas de sua vista.
Fica evidente que a sanha fascista dessa corja não se sustenta no debate democrático, apelando invariavelmente para a ofensa barata e o preconceito rasteiro. Ao tentar ridicularizar um ato legítimo puxado em solidariedade à vereadora Jô Cavalcanti, Medina atinge o fundo do poço da baixeza política, revelando uma pequenez moral assustadora. É o típico exemplar da política do ódio que tenta transformar o plenário em um clube exclusivo para a reprodução de microagressões trajadas de terno e gravata.
Diante de tamanha degradação civilizatória, a célebre estrofe da música dos Titãs ecoa como um raio de precisão cirúrgica para definir essa fauna que habita os porões do conservadorismo: são verdadeiros bichos escrotos vagando à luz do dia, incapazes de compreender o valor da pluralidade, da justiça social e do respeito humano. Essa mentalidade tacanha fede a mofo, a preconceito estrutural e a uma ignorância deliberada que envergonha a altiva história de luta e resistência do povo pernambucano.
O parlamento recifense não pode naturalizar essa patifaria travestida de mandato, que usa o microfone público para destilar puro veneno preconceituoso. A resposta a esse tipo de atitude canalha precisa vir na forma de rigor nos conselhos de ética, denúncias firmes no Ministério Público e, sobretudo, na repulsa implacável nas urnas, mostrando que Recife não tem espaço para quem cultiva o ódio e tenta transformar o racismo em palanque eleitoral.
Por: Tony lucas/focobr.com




