A moralidade da geopolítica norte-americana voltou a dar provas de que não passa de uma piada de mau gosto com o recente e escandaloso acordo de petróleo firmado entre a administração Trump e o governo venezuelano. Sob o pretexto de reorganizar a economia do país caribenho após a derrocada e captura do ditador Nicolás Maduro, Washington conseguiu superar a si mesma ao escolher como principal intermediário e parceiro comercial o bilionário Alejandro Betancourt — figura que até ontem liderava o topo das investigações internacionais por lavagem de dinheiro e desvios bilionários da estatal PDVSA. É o sujo mal lavado do imperialismo dando as mãos ao criminoso de colarinho branco em uma parceria que escancara a verdadeira face do oportunismo petrolífero.
A trajetória de Betancourt é um verdadeiro manual de como a impunidade veste terno e gravata de grife. Investigado por autoridades dos Estados Unidos e da Europa por esquemas escabrosos de desvio de fundos públicos, o magnata operou uma guinada digna de passe de mágica: bastou colaborar nos bastidores com os interesses norte-americanos para ver suas pendências judiciais convenientemente abafadas e assumir o posto de verdadeiro “vice-rei do petróleo” na América do Sul. Enquanto o povo venezuelano sofreu por anos com o colapso econômico e o cerco internacional, a elite corrompida continua a encontrar atalhos dourados para lucrar à custa da desgraça alheia.
O pacto, costurado a portas fechadas e com forte participação de figuras do novo arranjo de poder em Caracas como Delcy Rodríguez, transfere o controle estratégico de reservas gigantescas para mãos estrangeiras e para empresas privadas ligadas a essa corja intocável. O Pentágono e o Departamento de Estado entram como sócios de um esquema que cospe na soberania nacional e reduz o petróleo venezuelano a mero espólio de guerra de uma diplomacia de compadrio. Afinal, para a Casa Branca, o combate à corrupção e ao autoritarismo só serve como retórica de palanque; quando há barris de petróleo bruto e bilhões de dólares em jogo, qualquer investigado vira sócio honroso do Tio Sam.
Enquanto isso, a patota de defensores da suposta “livre iniciativa” aplaude de pé um arranjo que atropela qualquer princípio competitivo de mercado para beneficiar oligarcas amigos do rei. Betancourt e seus comparsas provam que, independentemente de quem ocupe Miraflores ou a Casa Branca, as regras do jogo para os donos do poder continuam sendo as mesmas: privatizar os lucros, socializar a ruína e garantir que os bilionários de plantão continuem engordando suas contas bancárias enquanto o povo paga a conta.
Por: TonyLucas/focobr.com




