Raquel quer mais R$ 1,9 bilhão em empréstimo: “Despesas de capital”, ´como assim?

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Raquel quer mais R$ 1,9 bilhão em empréstimo: “Despesas de capital”, ´como assim?

A governadora Raquel Lyra (PSD) voltou à Assembleia Legislativa de pires na mão. O governo pediu autorização para contrair até R$ 1,93 bilhão em novos empréstimos com instituições financeiras, mas o projeto, que tramitava em regime de urgência, esbarrou na Alepe nesta semana e saiu da pauta do plenário sem ser votado. Agora vai ter de esperar pelo menos mais uma semana.

O Projeto de Lei 4317/2026 estava pronto para ser votado em dois turnos na terça-feira (27), mas o relator na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, deputado Diogo Moraes (PSB), pediu vista e mais tempo para analisar um pedido de quase R$ 2 bilhões. Ele prometeu o parecer para a próxima terça. Depois, o texto ainda passa pela Comissão de Finanças, presidida pelo governista Antônio Coelho, antes de voltar ao plenário.

O dinheiro seria contratado em 2027, com bancos nacionais. O governo fala em obras de estradas, saúde e educação, mas o projeto descreve apenas “despesas de capital”, de forma genérica, sem uma lista de obras. Se não houver aval da União, o estado oferece como garantia parte da arrecadação do ICMS e dos repasses do Fundo de Participação dos Estados. Prazo e juros não foram informados.

Não é o primeiro pedido, longe disso. Em março, a Alepe aprovou por unanimidade R$ 5,2 bilhões em empréstimos com o Banco do Brasil e a Caixa. Em 2025, passou outro de R$ 1,5 bilhão. Só em 2023, primeiro ano de governo, foram R$ 3,4 bilhões em quatro contratos. Somados esses pedidos, Raquel já passa dos R$ 10 bilhões em crédito, e com o novo empréstimo a conta chega a R$ 12 bilhões.

Na base, a ordem é correr. O deputado Antônio Moraes (PSD) defendeu que o projeto avance logo, dizendo que quanto mais rápido, melhor para Pernambuco. O governo argumenta que o Orçamento de 2027 prevê R$ 6 bilhões em investimentos. O entrave, porém, é o primeiro sinal depois da eleição de que a relação com a Assembleia não vai ser um passeio no segundo mandato.

Na leitura do FocoBR, é o retrato de um governo que vive de empréstimo. Raquel prometeu obras na campanha, mas a conta vem do crédito, com o ICMS e o FPE dos pernambucanos dados em garantia, e quem paga são os próximos governos e o contribuinte. A Alepe faz bem em olhar com lupa: R$ 1,9 bilhão sem lista de obras é cheque em branco. Pedir transparência não é atrapalhar Pernambuco, é proteger o caixa do estado.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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