O presidente Lula orientou os ministros a evitar declarações públicas sobre a ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. A ordem, que circula no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (28), tem um objetivo claro: não alimentar a narrativa de perseguição política que aliados do senador usam para justificar a saída do país dois dias depois da derrota nas urnas.
O caso fica nas mãos da Polícia Federal e do Ministério da Justiça. A avaliação no governo é que comentários repetidos de ministros dariam combustível ao discurso da família Bolsonaro, que tenta posar de vítima enquanto o senador está fora do alcance da Justiça brasileira. Menos palanque, mais investigação, é a linha que o presidente quer ver seguida.
O próprio Lula já disse o que precisava na terça-feira (27), na festa dos 81 anos no Alvorada. Chamou a fuga de vergonhosa, lembrou que entregou o passaporte quando a Justiça pediu e resumiu a situação com uma frase que virou recado: “Quem não deve, não teme”. Também questionou o que um candidato derrotado carrega na consciência para deixar o país às pressas.
Flávio embarcou horas depois de vencer o prazo dado pelo ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes, e a Polícia Federal cancelou os documentos. Aliados dele agora resgatam uma fala de Lula num dos debates da campanha, quando o presidente disse que o senador poderia ter problemas com a Justiça ao perder a imunidade parlamentar, em fevereiro de 2027.
A fuga também abriu rachaduras no PL. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, disse não ter sido avisado da viagem, e dirigentes do partido também ficaram sabendo pela imprensa. Aliados pediam que o senador ficasse no Brasil para reorganizar a oposição. No governo, a leitura é de desgaste crescente da liderança da família Bolsonaro dentro da sigla.
Na leitura do FocoBR, Lula acerta ao baixar o tom. Quem precisa explicar a fuga é Flávio, não o governo. Cada ministro que comenta o caso empresta microfone a quem quer trocar o papel de investigado pelo de perseguido. O silêncio do Planalto deixa os fatos falarem sozinhos, e os fatos já dizem muito: o derrotado saiu do país, e o presidente ficou para governar.
Por: TonyLucas/ focobr.com




