O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acusou nesta quarta-feira (28) os partidos árabes de terem “roubado” a eleição legislativa em Israel. A acusação veio horas depois de a apuração apontar que as legendas da minoria árabe podem, pela primeira vez, ter papel decisivo na formação do novo governo, justamente o cenário que Netanyahu passou a campanha inteira tentando evitar.
Em comunicado, o Likud afirmou que a eleição foi roubada por partidos árabes que, segundo a legenda, apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu. O texto fala em corrupção, ameaças, violência, mentiras e uso de softwares proibidos para levar eleitores às urnas. Netanyahu já tinha ensaiado o discurso na terça-feira (27), em plena votação, quando usou os árabes como espantalho para convocar seus apoiadores.
O partido diz que está entregando depoimentos e provas às autoridades e fala em milhares de envelopes com dinheiro e cédulas do Raam, legenda árabe, além de ameaças e violência contra funcionários das seções eleitorais. A Comissão Central Eleitoral informou que analisa as denúncias de fraude e irregularidades apresentadas por todos os partidos, depois de o Likud pedir uma investigação sobre suposta fraude generalizada.
O pano de fundo é a conta que não fecha para o premiê. Pela apuração parcial, o bloco de Netanyahu soma 53 cadeiras, o do ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot chega a 48 e os partidos árabes alcançam 19, um recorde. Nenhum lado chega às 61 cadeiras necessárias para governar no Knesset, de 120 lugares, e os árabes viraram o fiel da balança numa eleição com o maior comparecimento desde 1999.
Durante a campanha, Netanyahu usou os partidos árabes para alimentar o medo de um Estado palestino e chegou a chamar de vergonha qualquer aliança com lideranças árabes. Agora, sem maioria, tenta transformar o resultado das urnas em suspeita de fraude, enquanto o presidente Isaac Herzog se prepara para ouvir os partidos e indicar quem vai tentar formar o novo governo.
Na leitura do FocoBR, é a mesma prática de toda a extrema direita: quando não vence, diz que houve fraude. Foi assim com Donald Trump nos Estados Unidos, foi assim com o bolsonarismo no Brasil, e agora é a vez de Netanyahu, que tratou os cidadãos árabes de Israel como ameaça e, quando eles votaram em peso, decidiu chamar o voto deles de roubo. Democracia é contar todos os votos, inclusive os de quem o governo não gosta.
Por: TonyLucas/ focobr.com




