O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preferiu falar de legado e de futuro a escalar o embate sobre soberania que prometia dar o tom da convenção nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) que confirmou a sua candidatura à reeleição neste domingo (2).
A programação visual do evento foi pensada para evocar o tema, com bandeiras do Brasil e vídeos no telão. Mas Lula entrou no assunto da soberania apenas de maneira pontual, ao voltar a reforçar a importância de investimentos na indústria de defesa do Brasil, defender terras raras dos interesses americanos e chineses e para dizer que quer “estar preparado para que ninguém invada o país para levar o presidente” — em uma referência à operação de captura de Nicolás Maduro na Venezuela por tropas norte-americanas.
Lula pediu teleprompter, mas depois dispensou o equipamento usado em eventos para auxiliar a leitura de textos e decidiu guiar o próprio discurso. Sinalizou, então, não escalar o tema que o próprio governo atrela como resposta frente ao tarifaço de Donald Trump e, posteriormente, às críticas disparadas por Javier Milei na convenção nacional do PL (Partido Liberal).
Apesar de não ser o foco principal do discurso de Lula, o mote da soberania apareceu em provocações pontuais de aliados. “A urna é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”, disse o candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), que, após o seu discurso, foi aplaudido aos gritos de “chuchu” por parte da plateia.
Já o presidente e coordenador-geral da campanha, Edinho Silva, afirmou que a eleição no Brasil terá impacto no mundo e na América Latina. “Temos que ter clareza disso”, afirmou.
A visão de governistas é de que Trump já deu sinais de interferência no processo eleitoral do Brasil e de que é preciso alinhar as diferenças de atuação entre governo e campanha.
Sem dar detalhes sobre propostas, Lula acenou o que trará em um eventual quarto mandato e disse querer ser candidato para “resolver definitivamente o papel da educação”.
“Não quero Lulinha paz e amor. Quero ser o Lulinha porreta e que vai fazer o que a gente ainda não fez”, afirmou.
Fugindo do script, Lula colocou a primeira-dama Janja para falar em um aceno ao eleitorado feminino. “Ou vota em mim ou bate na mulher. Se bater na mulher, não vote em mim”, afirmou o presidente.
Lula fez críticas ao fundo partidário e mandou recados ao Congresso Nacional, ao dizer que vai ter briga com emenda parlamentar. A provocação reflete uma preocupação de que o diálogo com a próxima configuração do legislativo pode ser dificultado caso Lula seja eleito uma quarta vez.
O PT concentra as energias para o ato no dia 16, no Estádio da Vila Euclides, no ABC Paulista. O evento é tido pelos correligionários como a abertura oficial da campanha, onde Lula deve falar sobre o plano de governo preparado pela campanha.

