A crise do caso Vorcaro dentro do STF ganhou mais um capítulo, e este é digno de embaraço. A Polícia Federal extraiu cerca de 500 gigabytes de dados dos celulares apreendidos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero, e dentro desse material identificou aproximadamente 5 mil arquivos classificados sob “score de nudez” — de fotos íntimas a conteúdo sexual explícito. Cópias integrais foram distribuídas aos ministros André Mendonça, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
E aí vem a parte que mistura tragédia com comédia: Mendonça e Fux informaram à PF que ainda não conseguiram acessar a íntegra do material recebido e pediram apoio técnico da própria corporação para abrir os arquivos. A Polícia Federal diz manter a guarda dos originais e garante que as cópias distribuídas são idênticas ao que foi extraído. Não há, até o momento, qualquer indicação pública de quem aparece nos arquivos, nem confirmação de que o conteúdo tenha relação direta com as investigações do Banco Master.
O episódio chega no meio de uma crise que já vinha corroendo a imagem do Supremo. Foi Mendonça quem, no dia 1º de setembro, tornou públicas mensagens que a PF associou a uma troca entre Vorcaro e Moraes, incluindo trechos em que o banqueiro fala em “gratidão” e pergunta se precisaria deixar o país dias antes de ser preso. Moraes negou tudo, chamou as mensagens de “fantasiosas” e acusou Mendonça de conduzir uma nova fase de “tentativa de golpe de Estado” contra a Corte. O plenário chegou a votar sobre a legalidade da ordem de Mendonça e empatou em 4 a 4, com Nunes Marques e Toffoli se declarando impedidos de participar do julgamento.
Por trás da queda de braço entre ministros está o rombo do Banco Master, que a liquidação do Banco Central estimou em cerca de R$ 52 bilhões — o maior já registrado pelo Fundo Garantidor de Créditos. O caso se desenrola em plena campanha eleitoral, com 54 pedidos de impeachment contra Moraes represados no Senado. Agora, o tribunal que deveria julgar o que Vorcaro fez com o dinheiro do banco nem consegue, segundo os próprios ministros, abrir o celular dele.




