Cientistas descobrem o primeiro novo felino em 100 anos

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Cientistas descobrem o primeiro novo felino em 100 anos
Gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus), parente próximo da nova espécie. Foto: Groumfy69/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um pequeno gato pintado da Bolívia acaba de entrar para a história da zoologia. Um estudo publicado em 17 de setembro na revista Current Biology descreve o Leopardus tilcayo, o primeiro felino inédito para a ciência em mais de cem anos, desde o gato-do-pampa, em 1923. A foto que ilustra esta matéria mostra um parente próximo, o gato-do-mato-do-sul.

O “gato estranho” de 2017

Em 2017, a bióloga boliviana Paola Nogales-Ascarrunz recebeu a ligação de um santuário de vida selvagem que havia acabado de acolher um animal descrito como “um gato estranho”. Um morador o encontrara ainda filhote, numa estrada perto de uma floresta, e o criou em casa por cerca de um ano, achando que era um gato doméstico, até perceber que o bicho era selvagem. Pequeno, com rosto enrugado, orelhas curtas e arredondadas, bigodes longos e o corpo coberto de manchas, o felino intrigou a pesquisadora, que na época o tomou por um gato-do-mato da espécie Leopardus tigrinus.

A dúvida veio em 2019, quando ela preparava um livro sobre os felinos da Bolívia e percebeu que as rosetas do animal eram bem maiores que as dos exemplares de referência do Brasil. Foram necessários mais alguns anos, e a parceria com o geneticista Eduardo Eizirik, da PUCRS, e com Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, para que a análise do genoma confirmasse: era uma espécie nova.

O que a genética revelou

Ao comparar genomas completos de 38 indivíduos do gênero Leopardus, a equipe constatou que o L. tilcayo se separou das demais espécies há cerca de 1,4 milhão de anos, distância evolutiva comparável à que existe entre os leões modernos e os leões-das-cavernas, já extintos. O nome vem da palavra pela qual a população local conhece o bicho. Com a descoberta, o que antes era visto como uma única espécie de gato-do-mato passa a ser um conjunto de cinco.

Até agora, só se sabe que o felino, de cerca de dois quilos e meio, vive na floresta de Yungas, na encosta oriental dos Andes bolivianos. O que ele come, como se reproduz e quem o caça continua um mistério.

Por que isso importa para a conservação

Dividir uma espécie em várias muda o cálculo da proteção. Segundo Eizirik, quem pensa no gato-do-mato como uma coisa só, do sul do Brasil à Costa Rica, conclui que ele não está ameaçado; mas, se são cinco, cada uma precisa ser avaliada separadamente. O especialista James Sanderson, que não participou do estudo, avalia que os métodos usados podem revelar novas espécies de pequenos felinos também na África e na Ásia, e que o trabalho sugere que o gato-maracujá talvez seja quatro espécies, hipótese que Eizirik diz exigir estudos genéticos próprios.

Por: TonyLucas/ focobr.com
Com informações da National Geographic Brasil (texto de Jason Bittel).

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