El Niño de 2026 já é visto do espaço e pode ser o mais forte desde 1950

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El Niño de 2026 já é visto do espaço e pode ser o mais forte desde 1950

Satélites da NASA estão acompanhando lá de cima um El Niño que pode entrar para a história. Segundo a agência americana de oceanos e atmosfera (NOAA), há 83% de chance de que o fenômeno em curso seja o mais forte desde 1950. O El Niño é um aquecimento natural das águas do Pacífico equatorial que se repete a cada dois a sete anos e muda o clima do planeta inteiro, inclusive o do Brasil.

Os instrumentos flagraram os primeiros sinais em janeiro, quando uma onda de Kelvin, uma espécie de ondulação que viaja pelo oceano, apareceu perto da Micronésia, no Pacífico oeste. No começo de abril, essas ondas chegaram ao lado leste, a temperatura da superfície do mar começou a subir e, na primavera, a faixa de água quente já avançava até a costa da América do Sul.

Os dados do satélite Sentinel-6 mostram o próprio oceano mais alto: em algumas áreas a água subiu de 30 a 40 centímetros, enquanto ao redor da Indonésia e do norte da Austrália o nível está de 15 a 20 centímetros abaixo do normal. No Pacífico leste, a superfície está cerca de 1,7 °C acima da média de longo prazo, numa mancha de calor que se estende por milhões de milhas quadradas.

Há ainda um detalhe curioso: as águas equatoriais do Pacífico ficaram mais azuis. As medições do satélite PACE, que pela primeira vez acompanha um El Niño desde o lançamento em 2024, indicam menos fitoplâncton, as algas microscópicas que sustentam a vida marinha. Os ventos alísios enfraqueceram, a ressurgência de águas profundas ricas em nutrientes diminuiu e outras espécies precisam migrar atrás de alimento.

Para quem vive em terra, o aviso é que o calor e a umidade do oceano alimentam tempestades e mexem no regime de chuvas, com efeitos para agricultores, bombeiros e comunidades costeiras. Os dados foram detalhados pelos cientistas Josh Willis, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, e Matthew Kehrli, do Centro Goddard, e o acompanhamento segue nos próximos meses.

Fonte: NASA Science.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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