A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, lamentou nesta terça-feira (15/9) a exposição negativa da Corte diante das denúncias envolvendo o caso do Banco Master. Durante a sessão que discutia a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Cármen Lúcia afirmou que o episódio provocou um “mal-estar cívico” na população e disse estar em estado de consternação e tristeza diante da situação.
Segundo a ministra, o STF — que tem a função constitucional de guardar a Constituição — acabou gerando intranquilidade entre os brasileiros num momento delicado. Ela classificou o episódio como uma “espetacularização” do caso e avaliou que a crise prejudicou a sociedade justamente durante o processo eleitoral, num tom mais institucional e comedido do que o adotado por colegas mais combativos no embate.
No mérito do julgamento, Cármen Lúcia acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, e votou a favor de examinar separadamente as questões envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça — mesmo entendimento de Luiz Fux. O placar parcial ficou em 4 a 3 favorável à análise separada, com Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e o próprio Moraes defendendo o julgamento conjunto; o voto de Flávio Dino, favorável à separação, não foi contabilizado depois que ele pediu vista, o que interrompeu a sessão sem data para retomada — o assunto deve voltar à pauta em 23 de setembro.
A fala de Cármen Lúcia ocorre num momento em que a crise já dividiu publicamente o plenário: as menções a Moraes vieram a público em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório com 52 mensagens supostamente trocadas entre o ministro e Vorcaro, movimento que a PGR pediu para anular e que Moraes classificou como inconstitucional. Em meio à disputa entre os dois colegas, a postura discreta e institucional de Cármen Lúcia tem sido lida como um contraponto ao tom mais agressivo do embate.




