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“O feminicídio é o final do problema; precisamos combater a raiz da violência contra a mulher”, diz Maria Arraes – Brasil 247

247 – A deputada federal Maria Arraes (PSB-PE), vice-líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, defendeu uma resposta estrutural ao avanço da violência contra as mulheres no Brasil e afirmou que o combate ao feminicídio exige enfrentar a misoginia disseminada nas redes sociais e fortalecer políticas públicas de educação, conscientização e proteção às vítimas.

Em entrevista ao programa O Dia em 30 Minutos, da TV 247, a parlamentar destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recolocou o enfrentamento à violência de gênero como prioridade, citando a criação do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e o fortalecimento das ações de proteção às mulheres.

Para Maria Arraes, entretanto, a repressão aos agressores, embora necessária, não é suficiente.

“O feminicídio é o final desse problema. Para combatê-lo, a gente precisa ir à raiz. O combate à violência contra a mulher passa pela educação, pela conscientização e pela punição.”

Segundo a deputada, a explosão de conteúdos misóginos nas plataformas digitais tem contribuído para naturalizar a violência contra as mulheres.

“Tem muito homem ganhando dinheiro com discursos de ódio, com discursos misóginos, com discursos que desvalorizam a mulher. Esse é o início do problema.”

Ela defendeu a aprovação do projeto que criminaliza a misoginia e criticou a demora do Congresso em pautar a matéria, afirmando que o ambiente virtual se tornou um espaço de incentivo ao ódio contra mulheres.

Leis para proteger mulheres
Maria Arraes lembrou que é autora de iniciativas já transformadas em lei voltadas ao enfrentamento da violência de gênero, entre elas o Protocolo “Não é Não”, destinado a orientar bares, restaurantes e casas de eventos sobre como agir diante de casos de assédio; o Banco Vermelho, campanha permanente de conscientização; e a lei que determina o uso de tornozeleira eletrônica por agressores e dispositivos de monitoramento para mulheres protegidas por medidas judiciais.

Críticas ao extremismo e ao discurso machista
Durante a entrevista, a parlamentar também relacionou o fortalecimento de movimentos de extrema direita ao crescimento de discursos machistas e misóginos.

Ela afirmou que interpretações distorcidas da religião e declarações de lideranças políticas acabam legitimando comportamentos violentos contra mulheres.

“Quando representantes do poder reproduzem esse discurso, muitos homens se sentem representados e passam a reproduzi-lo também.”

Na avaliação da deputada, esses discursos contribuem para a normalização da violência de gênero e reforçam uma cultura de discriminação.

“Quem tem medo do voto feminino tem medo da transformação”
Outro tema abordado foi a reação da extrema direita às conquistas históricas das mulheres. Ao comentar propostas defendidas por setores conservadores nos Estados Unidos que pregam o chamado “voto familiar” — retirando das mulheres o direito ao voto individual —, Maria Arraes classificou a ideia como um ataque à democracia.

“Quem tem medo do voto feminino é porque tem medo da transformação que esse voto representa. O voto feminino não foi um presente. Foi fruto de muita luta, de muita garra e determinação das mulheres.”

Ela também denunciou a resistência enfrentada pela bancada feminina para aprovar projetos voltados aos direitos das mulheres.

Segundo a deputada, iniciativas que protegem vítimas de violência ou garantem direitos básicos encontram obstáculos permanentes no Parlamento.

“Para conseguir qualquer coisa direcionada às mulheres, tudo é mais sacrificante, mais demorado. A gente precisa justificar mais, insistir mais e se explicar mais.”

Mobilização popular e pauta trabalhista

Coautora da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, Maria Arraes afirmou que o avanço da proposta foi resultado direto da pressão popular.

“A principal vitória dessa PEC foi mostrar o resultado que a mobilização popular pode trazer para dentro do Congresso. Ela só avançou porque o povo foi às ruas.”

A parlamentar defendeu que a sociedade mantenha a mobilização para que o Senado dê andamento à proposta ainda este ano.

Pernambuco no centro do mandato

Ao explicar sua decisão de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2026, Maria Arraes afirmou que pretende contribuir diretamente para a reconstrução do estado ao lado do grupo político liderado pelo prefeito do Recife, João Campos.

Ela criticou a gestão da governadora Raquel Lyra, acusando-a de desmontar políticas públicas e aproximar Pernambuco do projeto bolsonarista, e afirmou que pretende levar sua experiência legislativa para fortalecer um novo ciclo de desenvolvimento no estado.

Encerrando a entrevista, a deputada defendeu a união das forças progressistas e reafirmou a importância da participação das mulheres nos espaços de decisão política.

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