De Miami, para onde fugiu na terça-feira (27) desrespeitando a ordem de não deixar o país, Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se apresenta ao Brasil e à comunidade internacional como “o verdadeiro presidente eleito”. O delírio durou pouco: depois de circular, o texto ganhou novas versões e terminou com o senador recuando e se dizendo apenas “o líder do Brasil”.
A primeira versão, espalhada pelo influenciador Paulo Figueiredo, trazia um timbre com “Estados Unidos do Brazil”, com z, nome adotado logo após a Proclamação da República. Uma segunda versão trocou a imagem por “República Federativa do Brasil”. Na terceira, distribuída por aliados nos Estados Unidos, sumiu a autoproclamação, e o texto passou a abrir com o senador se dirigindo ao povo e ao mundo “como o líder do Brasil”.
No conteúdo, a carta repete sem uma única prova a tese da fraude. Flávio fala em “impossibilidade matemática” para explicar os mais de 10 milhões de votos que Lula somou entre os turnos e acusa o Supremo de conluio com o PT por ter permitido votação depois do horário. Esquece de dizer que a própria campanha dele pediu prorrogação em 17 cidades, alegando chuva.
O senador também foge da palavra fuga. Diz ter saído do país para escapar de um “regime de exceção”, se coloca como perseguido político em “exílio estratégico” e promete liderar a oposição do exterior. No texto, se compara a Rui Barbosa, Charles de Gaulle, Juan Guaidó e María Corina Machado, e agradece a Javier Milei e a Donald Trump.
O recuo tem explicação. A missão de observação da OEA atestou a legitimidade da eleição, e a ideia de uma presidência paralela perdeu qualquer chão. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos e mais de 4,4 milhões de votos de diferença. No domingo, Flávio disse que pediria a anulação; na segunda, a própria campanha desistiu; na terça, ele deixou o país. O gabinete e o coordenador Rogério Marinho não se manifestaram.
Na leitura do FocoBR, é o absurdo completo. Um candidato derrotado, fora do país, investigado e com os passaportes cancelados se declara presidente por carta, troca o timbre duas vezes e apaga a própria autoproclamação no mesmo dia. Nem ele acreditou no que escreveu. O Brasil tem um presidente eleito, escolhido nas urnas por 64 milhões de brasileiros, e ele se chama Lula. O resto é carta de exilado por vontade própria.
Por: TonyLucas/ focobr.com




