João Campos está na mesa de Lula. Com o presidente reeleito e o desenho do segundo tempo do governo em andamento, o presidente nacional do PSB é um dos nomes mais comentados para a Esplanada, e a pasta que mais combina com ele tem peso de família: Ciência e Tecnologia, a mesma que Eduardo Campos, pai de João, comandou no primeiro mandato de Lula. O recado do PSB é que o partido quer espaço, e quer com o nome que construiu.
Dentro do PSB pernambucano, o nome de João circula desde o fim do primeiro turno também para o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. A pasta é hoje de Paulo Henrique Pereira, que chegou lá com o aval do próprio João, e entregaria ao presidente do partido uma estrutura federal e um lugar fixo ao lado de Lula.
O ministério tem histórico de troca rápida. Márcio França deixou o cargo em abril para disputar o Senado por São Paulo, Tadeu Alencar assumiu e saiu 18 dias depois, citando tensões internas no partido, e o comando passou a Paulo Henrique. É uma cadeira que o PSB considera sua, e que João já ajudou a preencher, o que explica por que o nome dele circula com naturalidade por ali.
A aposta mais forte, porém, é Ciência e Tecnologia, pasta que João herdaria como quem retoma uma história de família. Para isso, a ministra Luciana Santos, do PCdoB, teria de sair, e o PSB já olha também para a Secretaria de Relações Institucionais, onde se fala no nome de Silvio Costa Filho. João segue discreto, como pede o momento, e deixa que o presidente conduza a conversa.
João chega a essa conversa com a vida política reorganizada. Deixou a Prefeitura do Recife em abril para disputar o governo de Pernambuco, não venceu a eleição e ficou sem mandato, mas segue à frente do PSB desde 2025, cargo que o mantém no centro das negociações com o Planalto. É a posição de quem não depende de cargo para ter peso, e que por isso pode escolher bem o que aceita.
Foi o partido de João que o chamou a Brasília para ajudar na articulação do segundo turno de Lula. A coordenação nacional da campanha pediu que ele se afastasse do palanque em Pernambuco, e ele manteve discrição, deixando a mobilização petista no estado com Humberto Costa. Quem acompanhou a reta final viu um aliado que fez o que a campanha pediu, sem criar ruído e sem cobrar em público.
O futuro dele tem dois caminhos: voltar a disputar o governo de Pernambuco em 2030, como defendem aliados, ou construir um nome nacional dentro do PSB. Um ministério serve aos dois, porque dá vitrine federal, acesso direto ao presidente e tempo para que o grupo de João se reorganize no estado.
Na leitura do FocoBR, o nome faz sentido por qualquer ângulo. João tem a legenda que Lula precisa na base, a história de Eduardo Campos na pasta da Ciência e Tecnologia e a juventude política que um governo em novo ciclo gosta de mostrar. Ministério não é prêmio de consolação, mas quem entrega lealdade, voto e silêncio na hora pedida costuma ser lembrado. A decisão é de Lula, e João está no lugar certo para ouvir o convite.
Por: TonyLucas/ focobr.com




