O Ibovespa abriu esta quarta-feira (28) em queda de 0,50%, aos 174.829 pontos, no terceiro pregão de ressaca depois da reeleição de Lula. Na segunda-feira (26), o índice despencou 13,88%, num dos piores dias da história da Bolsa, e na terça voltou a cair 0,51%. Na semana, a perda chega a 14,75%. O dólar saltou para acima de R$ 5,35.
O movimento teve endereço. Investidores estrangeiros tiraram R$ 2,8 bilhões da B3 no dia seguinte à eleição, numa reação ao resultado das urnas, e não a qualquer mudança concreta na economia. Nada mudou nas contas públicas, nos juros ou no emprego entre sexta e segunda. O que mudou foi o nome que boa parte do mercado queria ver no Planalto.
Quando se olha um pouco mais longe, o quadro é outro. Mesmo com o tombo, o Ibovespa ainda acumula alta de 8,51% em 2026 e de 18,59% em doze meses. É um desempenho que derruba a tese de que o governo Lula espanta o investimento: foi justamente sob ele que a Bolsa construiu a valorização que agora devolve em parte.
Hoje o mercado também olha para fora. O Federal Reserve, o banco central americano, anuncia a decisão de juros, com expectativa de manutenção da taxa entre 3,75% e 4% ao ano, seguida da coletiva do presidente Kevin Warsh. No Brasil, o Tribunal de Contas da União julga a alíquota de referência da CBS, o tributo que substitui o PIS e a Cofins a partir de 2027.
A temporada de balanços também mexe com as ações. O Santander teve lucro de R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre, queda de 28% em um ano, com inadimplência de 3,4%, e os papéis recuavam 4%. A Hypera foi na direção oposta: lucrou R$ 523,2 milhões, alta de 14,7%, e as ações subiam mais de 5%. A Klabin lucrou R$ 393 milhões, 18% menos que um ano antes.
Na leitura do FocoBR, a Bolsa fez birra e agora começa a acordar. Um tombo de quase 14% num único dia não é análise econômica, é recado político de quem apostou alto no candidato derrotado. A economia real continua a mesma da semana passada, com emprego, renda e programas sociais de pé. O mercado vai ter de se acostumar: o país escolheu, e escolheu Lula.
Por: TonyLucas/ focobr.com




