Vejam o que é ter postura de criança, sem a mínima condição nem de ser candidato. Só olham para eles, o povo não tem vez, ninguém tem vez, nem os do partido deles.
No entanto, o que mais chamou a atenção de quem acompanhou o ato não foi apenas o desrespeito às regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o tom de fúria e o populismo barato adotados pelo parlamentar de extrema direita.
Vestindo uma camisa do jogador Neymar, Flávio subiu ao palco determinado a personificar o espírito de confronto do clã. O figurino não foi por acaso: serviu de pretexto para o senador sair em defesa do atleta, um dia após o presidente Lula (PT) ter ironizado o atacante ao chamá-lo de “jogador em home office”.
Ataques à diplomacia e silêncio sobre os problemas do país, pois sua burrice não o deixa entender isso.
Em seu discurso violento, Flávio tentou desqualificar a estratégia internacional do atual governo. Ele atacou de forma raivosa as alianças e acordos comerciais que Lula tem costurado globalmente com as mais diversas nações. O pré-candidato preferiu ignorar que essa reinserção diplomática resultou em um vistoso crescimento econômico e na atração de investimentos para o Brasil nos últimos anos. Em vez disso, tentou blindar o legado de isolamento da gestão de Jair Bolsonaro, período em que o país tornou-se um pária no mundo, sofrendo boicotes informais e ficando de fora das principais agendas multilaterais.
“Quando a gente pensa que já viu de tudo, vem o Lula e consegue fazer mais um gol contra… Você pode gostar ou não do Neymar como jogador. Para mim, ele é craque. Difícil de defender é o Lula, em seu mandato no modo avião, sempre viajando, se hospedando em hotéis de luxo. Fique em casa, Lula, e pare de torrar o dinheiro dos brasileiros”, disparou Flávio no microfone.
Poder como “direito” e “herança familiar”
O ponto mais sintomático do comício, porém, ocorreu quando o senador explicitou sua real motivação para pleitear o cargo mais importante do país. Ao tratar a Presidência da República não como um posto de serviço à nação, mas como uma espécie de propriedade privada ou bem familiar hereditário, Flávio deixou claro que sua plataforma não é voltada para os cidadãos.
Durante toda a sua fala em São Paulo, o parlamentar não mencionou o povo brasileiro, não apresentou propostas econômicas e tampouco citou soluções para os problemas estruturais enfrentados pelo país. A justificativa para sua candidatura se resume a uma questão de linhagem e revanche familiar:
“Não era para eu estar aqui, era para Jair Messias Bolsonaro estar aqui no meu lugar, mas nós vamos honrar ele… E eu vou honrar o meu pai junto com vocês e com esse time que está aqui nesse palanque.”
O episódio acende o alerta jurídico sobre o abuso de poder econômico e político na pré-campanha, ao mesmo tempo em que desenha o tom que o clã extremista pretende dar à corrida presidencial: um misto de ressentimento familiar e nacionalismo estético, sem qualquer compromisso real com a governabilidade do Brasil.
Veja o vídeo do comício escancarado:
