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- Author, Jaroslav Lukiv
- Role, da BBC News
- Author, Paul Adams
- Role, correspondente diplomático, reportando de Kiev
- Reporting from, Kyiv
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Tempo de leitura: 6 min
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, demitiu nesta terça-feira (21/7) o comandante-em-chefe do Exército do país, Oleksandr Syrskyi.
A demissão ocorre poucos dias após a saída do popular ministro da Defesa Mykhailo Fedorov, uma decisão que desencadeou protestos de rua em todo o país.
Rumores de que o fim da gestão de Fedorov estava relacionado a um conflito entre ele e Syrskyi logo se confirmaram.
Fedorov, de 35 anos, tem sido amplamente elogiado por revitalizar o ministério e transformar as forças armadas, além de liderar uma campanha contra a corrupção.
Syrskyi, de 60 anos, é visto por muitos na Ucrânia como um comandante da escola soviética, relutante em implementar mudanças radicais no exército.
Ele foi substituído por Mykhailo Drapatyi, um general popular e veterano de combate.
Em um vídeo publicado nas redes sociais na noite de terça-feira, Zelensky agradeceu a Syrskyi por seu papel na defesa bem-sucedida da capital ucraniana, Kiev, durante os primeiros dias da invasão em larga escala pela Rússia em 2022, assim como em outras campanhas militares.
Zelensky também disse que, mais cedo, reuniu-se com Fedorov e lhe ofereceu um “cargo de relevância no governo”, mas não informou se a oferta havia sido aceita.
Fedorov foi substituído na semana passada por Yevhenii Khmara, um ex-alto funcionário do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU).
“Todas as decisões serão formalizadas amanhã”, acrescentou Zelensky em sua publicação.
Ao longo da última semana, milhares de pessoas foram às ruas em Kiev e outras cidades ucranianas para protestar contra a destituição de Fedorov e exigir a saída de Syrskyi.
O veterano do Exército Dmytro Koziatynskyi afirmou em uma publicação nas redes sociais que, se Syrskyi não fosse demitido até sexta-feira e Federov não fosse reintegrado, seria iniciado “um protesto nacional por tempo indeterminado”.
Não há protestos agendados antes dessa data, e a Ucrânia aguarda ansiosamente uma solução.
Durante o fim de semana, a imprensa ucraniana noticiou que Zelensky estava consultando ministros e generais em um esforço para solucionar a crise.
Em meio a uma série de rumores, o Estado-Maior se viu forçado a negar notícias de que Syrskyi estava prestes a ser demitido – o que acabou de fato ocorrendo.
Outro relato sugeria que Fedorov havia recusado uma oferta para retornar em um cargo diferente no governo.
Horas antes do anúncio da demissão de Syrskyi, o chefe do gabinete da Presidência, Kyrylo Budanov, havia pedido aos ucranianos que mantivessem a calma.
“A situação em torno das últimas mudanças internas causou fortes emoções”, escreveu ele na terça-feira, assegurando que o governo havia tomado ciência dos protestos.
“Eu entendo as pessoas que expressam sua posição… A posição da sociedade foi ouvida.”
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Com um grande número de manifestantes direcionando sua raiva contra o general Syrskyi, visto por muitos como representante de doutrinas militares obsoletas da era soviética, Budanov, ex-chefe da inteligência militar, alertou às pessoas para “não odiarem ninguém”.
“O inimigo está monitorando de perto cada uma de nossas disputas internas e está esperando que comecemos a brigar entre nós”, escreveu ele.
“O trabalho está em andamento. Haverá resultados.”
A desconfiança dos mais jovens
Na segunda-feira, o general Syrskyi, geralmente discreto, mas bastante pressionado, havia rebatido as críticas que vinha sofrendo, publicando uma longa defesa de sua trajetória e pedindo aos ucranianos que não se concentrassem em sua rivalidade, amplamente conhecida, com Fedorov.
Apesar da afirmação de Zelensky na semana passada de que os dois não conseguiam nem ficar no mesmo cômodo, Syrskyi disse que ficou surpreso em saber que tinha um conflito com o ministro.
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“Eu percebia nossa relação como uma relação de trabalho”, escreveu ele em um artigo de opinião para o site Militarny.
“Se ofendi alguém, Mykhailo Albertovych [Fedorov], peço desculpas.”
O general afirmou que as questões relativas a contratos militares, aquisições e mobilização, atualmente debatidas na imprensa ucraniana e resumidas a slogans sucintos em pedaços de papelão carregados por manifestantes, são muito mais complexas do que a maioria das pessoas imagina.
“Decisões das quais dependem vidas não são tomadas com slogans“, disse ele. “O trabalho real, e não o drama público que o envolve, é o que vence a guerra.”
Embora Syrskyi tenha evitado ataques pessoais, o alvo de grande parte de suas críticas era bastante claro.
“As apresentações não devem se transformar em autorrepresentações”, escreveu ele, em uma crítica pouco velada a uma longa e detalhada coletiva de imprensa de Federov na semana passada.
“Por trás de cada slide deve haver um documento, um orçamento e um procedimento”, continuou o general. “Caso contrário, em vez de uma decisão, o exército fica decepcionado.”
O problema de Syrskyi, no entanto, é que a maioria dos ucranianos, especialmente os mais jovens, parece confiar na análise de Federov sobre o que precisa mudar para que a Ucrânia vença a guerra, e não na do general.
Mais do que qualquer outro, Federov é visto por muitos como o responsável pela inovação nas forças armadas, melhorando gradualmente as chances da Ucrânia de derrotar seu inimigo numericamente superior.
A demanda por novas ideias
“Neste momento, a guerra está mudando, então precisamos de novas ideias e uma nova estrutura”, disse Tetiana Makarenko, de 44 anos, funcionária de um escritório de advocacia, em um dos protestos do fim de semana.
“Costuma-se dizer que um pequeno exército soviético não consegue derrotar um grande exército soviético. É hora de mudar essa mentalidade e começar um novo tipo de guerra.”
Os seis meses de Federov à frente do Ministério da Defesa coincidiram com uma série de sucessos militares pelos quais o ministro, nem sempre de forma justa, recebeu crédito.
“Tivemos essa sensação porque vimos a situação mudar”, disse Makarenko. “Sentimos que podíamos fazer isso.”
Em seu artigo, Syrskyi rebateu as acusações de falta de estratégia ou de que não havia adotado novas tecnologias.
“A crítica mais estranha que já ouvi é que supostamente não quero lutar com drones”, disse ele, salientando que havia presidido a criação de uma força de sistemas não tripulados como um ramo separado das forças armadas.
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Mas os drones, apesar de serem responsáveis pela maior parte das baixas russas, não foram suficientes, argumentou ele.
“Não posso transformar um exército de um milhão de homens em drones em dois meses e dizer: agora lutamos assim”, escreveu.
Syrskyi afirmou que não estava em guerra com o Ministério da Defesa, mas sim com a Rússia. Enquanto ele se defendia de uma série de críticas, as especulações corriam soltas sobre quem Zelensky poderia escolher para substituí-lo.
Entre os candidatos estavam Andriy Bilekskyi, comandante do Terceiro Corpo de Exército; Oleh Apostol, comandante das Forças Aerotransportadas; e Ihor Obolenskyi, comandante do Corpo da Guarda Nacional; e Mykhailo Drapatyi, comandante das Forças Conjuntas.
Os potenciais substitutos de Syrskyi compartilhavam duas características: todos têm carreiras militares distintas, mas, crucialmente, todos pertencem a uma geração muito mais jovem de oficiais.
Biletskyi, de 46 anos, é o mais velho, enquanto Apostol e Obolenskyi têm 39.
Drapatyi, que acabou sendo escolhido por Zelensky, tem 43 anos.

