Enquanto os grandes nomes da política brasileira gastam fortunas em marqueteiros e brigam por segundos a mais no horário eleitoral, tem uma candidata rodando o país com um discurso afiado, propostas claras e praticamente nenhum dinheiro no bolso. Samara Martins, dentista do SUS e vice-presidente nacional da Unidade Popular, esteve no Recife levando exatamente esse contraste: uma campanha popular, sem grana e sem tempo de TV, tentando furar o bloqueio da grande mídia à base de conteúdo e de rua.
E olha que o patrimônio declarado ao TSE não deixa margem para dúvida sobre o tamanho da disparidade: R$ 33 mil, um Fiat Uno 2016 e R$ 4 mil guardados. Do outro lado do tabuleiro presidencial, candidatos multiplicam esse valor por milhares em publicidade paga. Ainda assim, Samara segue firme, defendendo bandeiras que a esquerda tradicional muitas vezes prefere suavizar: nacionalização do sistema bancário, fim do latifúndio com reforma agrária de verdade, estatização do transporte público e auditoria da dívida pública com suspensão imediata dos pagamentos.
Tem inteligência e coragem para dizer o que pensa sem meio-termo. Numa sabatina recente, foi direto ao afirmar que o projeto de lei que criminaliza a misoginia precisa ir além de punir piadas ofensivas, precisa responsabilizar as próprias plataformas digitais que lucram deixando no ar páginas de ódio, misoginia e apologia ao estupro, enquanto derrubam conteúdo progressista. Disse ainda que o Brasil registra quatro feminicídios por dia e que homens, em geral, não entendem, porque não vivem, a violência de gênero.
Não é força de expressão dizer que a fala dela ganha ainda mais peso no calendário atual: Pernambuco vive o auge da revolta popular contra a frase “faz sem ela saber”, da governadora Raquel Lyra, que sugeriu laqueadura em uma mulher sem consentimento. É exatamente o tipo de debate, mulher, autonomia sobre o próprio corpo, poder que despreza quem deveria servir, que Samara Martins carrega como bandeira central da sua candidatura, com ou sem holofote da grande imprensa.
No Recife, sua agenda passou por caminhada popular, ato na Avenida Guararapes e plenária aberta na sede do Movimento de Trabalhadores Cristãos, no Centro da cidade. Sem carreata milionária, sem jatinho, sem tempo de TV. Só presença, discurso e a teimosia de quem acredita que política também se faz assim.
Por: TonyLucas/ focobr.com




