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Raquel celebra 68% de aprovação, mas perde 25 pontos quando a pergunta vira voto

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (28) entregou ao governo Raquel Lyra um número para comemorar: 68% dos pernambucanos aprovam a gestão, enquanto 23% desaprovam e 9% não souberam responder. O dado é forte, mas a mesma pesquisa impõe um freio ao triunfalismo: no cenário estimulado para o Governo de Pernambuco, apenas 43% dizem votar na governadora. Entre aprovação administrativa e escolha eleitoral existe, portanto, uma distância de 25 pontos percentuais.

O levantamento ouviu 900 eleitores entre 22 e 26 de julho, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-09649/2026. A comparação entre os indicadores é válida como leitura política, mas eles medem coisas diferentes: aprovar um governo não significa necessariamente escolher sua continuidade nas urnas.

No primeiro turno, João Campos aparece com 37%, seis pontos atrás de Raquel. Camila Falcão, Ivan Moraes e Renan Hallais registram 1% cada; 11% estão indecisos e 6% declaram voto branco, nulo ou dizem que não irão votar. O retrato confirma vantagem da governadora, mas também mostra que uma parcela relevante de quem avalia positivamente a administração ainda não transformou essa percepção em voto declarado.

Outro dado ajuda a compreender a complexidade do cenário, sem provar sozinho a causa dessa diferença: 47% dos entrevistados preferem que o próximo governador seja aliado do presidente Lula, que declarou apoio a João Campos. A identidade nacional da disputa, as alianças e a campanha ainda podem pesar sobre uma avaliação estadual hoje favorável. Pesquisa é fotografia, e não autorização para confundir popularidade administrativa com decisão eleitoral consolidada.

Raquel tem motivo para celebrar a melhora de sua aprovação, que subiu seis pontos desde abril, mas não para vender 68% como se fossem votos. A diferença de 25 pontos é o espaço em que cabem cobrança por resultados, fiscalização, alianças ainda indefinidas e eleitores dispostos a aprovar uma gestão sem renovar automaticamente o mandato. O governo ganhou um ativo político; agora terá de explicar por que ainda não consegue convertê-lo por inteiro nas urnas.

Foto: Janaína Pepeu/Secom e Edson Holanda/PCR.

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