Pouca gente sabe, mas Pernambuco tem um capítulo pouco lembrado — e surpreendente — na história da ciência mundial: foi em Olinda que se descobriu o primeiro cometa observado em toda a América Latina. A descoberta aconteceu há mais de 160 anos, num morro que hoje é ponto turístico da cidade, e rendeu ao estado um lugar permanente nos catálogos de astronomia internacionais.
A noite de 26 de fevereiro de 1860
O responsável pelo feito foi o astrônomo francês Emmanuel Liais, que trabalhava a serviço do Observatório Imperial de Paris e estava de passagem pelo Brasil. Observando o céu a partir do Alto da Sé, em Olinda, ele identificou um corpo celeste até então desconhecido. O achado foi publicado na renomada revista científica britânica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, e o objeto passou a ser catalogado oficialmente como 1860 I, ou C/1860 D1 — mas ficou conhecido para sempre como Cometa Olinda, ou Cometa de Liais.
Por que ninguém nunca mais vai ver o Cometa Olinda
O cometa descoberto por Liais tem uma característica que o torna ainda mais especial: sua órbita é parabólica, o que significa que ele passou perto do Sol uma única vez e seguiu viagem para fora do Sistema Solar, sem data de retorno. Cientistas acreditam que corpos com esse tipo de trajetória têm origem na nuvem de Oort, uma remota região gelada nos confins do Sistema Solar. Na prática, isso quer dizer que o Cometa Olinda foi visto uma vez só na história da humanidade — e foi um pernambucano o “endereço” registrado dessa descoberta.
Do observatório imperial a espaço de ciência gratuito
O local exato de onde Liais fez a observação, no Alto da Sé, acabou virando também palco de outro evento astronômico importante: o trânsito de Vênus de 1882. Anos depois, em 1890, já sob a administração do governador Barbosa Lima, foi erguido ali um observatório em estilo neoclássico. O espaço passou por diferentes fases — chegou a funcionar como estação meteorológica entre 1922 e 1960 — até ser reaberto em 2004, desta vez sob gestão do Espaço Ciência, que instalou uma cúpula e transformou o local em observatório didático, com exposições permanentes sobre Lua, Marte e o Universo.
Hoje, mais de um século e meio depois daquela noite de fevereiro, o Observatório do Alto da Sé recebe visitantes gratuitamente de terça a domingo, das 16h às 20h — uma forma de manter viva, literalmente sob o mesmo céu, a curiosidade que rendeu a Pernambuco seu lugar na história da astronomia mundial.
Por: TonyLucas/ focobr.com




