João Campos sai fortalecido das eleições: Lula chega a 69% em Pernambuco e PSB volta ao centro do jogo nacional

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João Campos sai fortalecido das eleições: Lula chega a 69% em Pernambuco e PSB volta ao centro do jogo nacional
Lula, João Campos e Geraldo Alckmin no congresso eleitoral do PSB. Foto: Rodolfo Loepert/PSB

João Campos deixa a eleição de 2026 com a imagem mais forte do que tinha no início da campanha. Derrotado por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo de Pernambuco, o presidente nacional do PSB estava do lado vencedor na eleição presidencial: apoiou Lula desde o início, e o presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos.

O desempenho de Lula em Pernambuco ajuda a explicar esse capital político. No segundo turno, o presidente teve 4.116.949 votos no estado, 69,21% dos válidos, contra 30,79% de Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Lula havia tido cerca de 3,55 milhões de votos, 63,45%.

O crescimento foi de cerca de 562 mil votos de um turno para o outro. Flávio, no mesmo período, passou de 1.738.043 para 1.831.897 votos, mas perdeu participação percentual, de 31,03% para 30,79%.

O palanque pernambucano de Lula, porém, teve uma particularidade no segundo turno. Como Raquel Lyra declarou neutralidade na disputa presidencial, a coordenação nacional recomendou que João Campos se afastasse do palanque no estado, para não espantar eleitores da governadora. Humberto Costa (PT) assumiu a mobilização petista, e em Petrolina Marília Arraes subiu ao palco com Lula, enquanto João ficou nos bastidores.

A derrota de 4 de outubro foi a primeira de João Campos nas urnas. Engenheiro civil, ele foi eleito deputado federal em 2018 com a maior votação do pleito, venceu a Prefeitura do Recife em 2020 e foi reeleito em 2024. Deixou o cargo neste ano para disputar o governo e, pela primeira vez em duas décadas, o PSB ficou sem o comando do Governo de Pernambuco e da Prefeitura do Recife.

Com a vitória nacional, o cenário muda para o socialista. Segundo a coluna Jamildo, o Ministério da Ciência e Tecnologia, que foi comandado por seu pai, Eduardo Campos, no primeiro mandato de Lula, é a pasta mais cotada para ele. A mudança tiraria do cargo a ministra Luciana Santos (PCdoB), aliada de João. O deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) aparece cotado para a Secretaria de Relações Institucionais. Não há confirmação oficial.

Um cargo federal daria a João visibilidade nacional e uma base para liderar a oposição à governadora Raquel Lyra em Pernambuco, mantendo visitas frequentes ao estado. Ele tem vínculo com a área de tecnologia por programas criados no Recife, como o Embarque Digital e ações da Emprel.

Logo depois da derrota, João Campos disse “não desistirei do Brasil, nem de Pernambuco”. Agora, com Lula reeleito, um estado onde o presidente passou de 69% dos votos e o comando nacional do PSB nas mãos, o socialista sai da eleição derrotado no estado, mas fortalecido no jogo nacional. A dúvida que fica é se ele mirará o governo de Pernambuco em 2030 ou uma candidatura nacional.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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