Um vídeo falso sobre o ato pró-Lula de domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo, foi espalhado pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL), pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e por aliados, e acabou na mira do TSE. A gravação mostra uma jovem de cabelos vermelhos levando um cartão ao nariz, em cena que sugere o consumo de drogas, e foi apresentada como se tivesse sido feita entre os participantes da manifestação.
A origem, porém, é outra. O vídeo foi publicado no X na véspera do ato, no sábado (10), por uma conta ligada ao Chile, e já circulava na internet antes da manifestação, segundo documentos apresentados ao tribunal. Ou seja, as imagens não poderiam ter sido gravadas na Paulista, e a tentativa de associá-las ao ato de Lula foi uma descontextualização para atingir a imagem dos apoiadores do presidente.
Flávio divulgou o vídeo no canal de WhatsApp Tropa do Flávio, com a legenda de que militantes usavam substâncias supostamente ilícitas em manifestação. Tarcísio compartilhou o material no Instagram sem explicar de onde veio a gravação. Também ajudaram a espalhar as imagens Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal, Rony Gabriel e o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que incentivou a divulgação em áudio e depois disse que não afirmou que a cena era da Paulista.
A campanha de Lula recorreu ao TSE, e na segunda-feira (12) o ministro Marco Aurélio Bellizze mandou apagar as publicações em 24 horas, a contar da intimação. A ordem atinge Flávio, Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal e Rony Gabriel e, segundo a Revista Fórum, também Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). Tarcísio não foi incluído, e a decisão é provisória, pois ainda será analisada pelo plenário do tribunal.
Bellizze classificou o caso como grave manipulação por descontextualização, já que o conteúdo mistura eventos reais com situações que não ocorreram. Se as postagens não forem apagadas no prazo, Meta e X deverão ser notificadas para retirar o material. O ministro negou os pedidos para suspender o perfil Sociedade em Fatos e para proibir previamente conteúdos parecidos, e destacou que a decisão não impede críticas nem opiniões sobre o ato.
A campanha de Flávio disse em nota que o canal é um instrumento registrado no TSE e que, ao contrário do PT, não propaga fake news, mas não explicou a origem da gravação. A publicação foi apagada depois que a imprensa procurou os responsáveis. Tarcísio citou danos e pichações no Metrô de São Paulo, o que não comprova ligação da jovem com o ato, que reuniu uma multidão e no qual Lula pediu que apoiadores buscassem quem não votou no primeiro turno.
Por: TonyLucas/ focobr.com




