O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, chegou de helicóptero a um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para o último ato de campanha antes do segundo turno, no sábado (24). Imagens obtidas pelo ICL Notícias mostram Flávio desembarcando da aeronave de matrícula PT-OUR, a mesma em que a Polícia Federal apreendeu R$ 7 milhões em dinheiro em 2021.
O helicóptero é um Bell 429, registrado na Anac em nome da Fato Gestora de Negócios, que diz tê-lo comprado em 2019 por R$ 12,9 milhões. Quem opera a aeronave é a One Prime Leader Participações, do advogado Vinicius Peixoto Gonçalves. A Anac não autoriza o helicóptero a operar como táxi aéreo.
A apreensão ocorreu em Búzios (RJ), quando três pessoas ligadas a Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins, embarcavam. Relatório da PF aponta que Adalberto Salgado Junior, sócio da Fato Gestora, emprestou o helicóptero ao amigo Glaidson para transportar valores da GAS Consultoria.
Glaidson foi preso em agosto de 2021 na Operação Kryptos, que investigou um esquema de pirâmide financeira com movimentação de R$ 38 bilhões e prejuízo a cerca de 77 mil pessoas e empresas. Em outubro de 2025, a Justiça estadual do Rio o condenou a 19 anos e 2 meses de prisão por organização criminosa e corrupção ativa, na Operação Novo Egito. Na ação federal da Kryptos, o Ministério Público Federal pediu a condenação nas alegações finais.
Flávio tem ligação com o caso: foi advogado de Tunay Pereira Lima, ex-sócio de Glaidson preso em 2021. O escritório do senador recebeu R$ 1,3 milhão em 2024 pelo trabalho, um mês antes de ele assinar um pedido de soltura. Em recurso ao STJ para trancar uma ação penal da Kryptos, o ministro Messod Azulay Neto negou o pedido.
O advogado Vinicius Peixoto Gonçalves afirmou que o uso do helicóptero foi uma cessão particular, sem cobrança, e que a Fato Gestora apenas intermediou um fretamento, por meio de um corretor de aviação, a pessoas que não conhecia. Ele disse ainda que o relatório final da PF indiciou sete pessoas, nenhuma ligada à empresa, e que a 3ª Vara Federal do Rio arquivou, em 27 de novembro de 2024, o inquérito na parte relativa à Fato Gestora. A campanha de Flávio não respondeu aos pedidos de comentário.
A apuração é de Flávio VM Costa e Juliana Dal Piva, do ICL Notícias.
Por: TonyLucas/ focobr.com




