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Flávio Bolsonaro se cala sobre censura a Atlas e divulga pesquisa Gerp, que errou na disputa de Bolsonaro contra Lula

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  • Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) não se pronunciou sobre a censura da pesquisa AtlasIntel (BR‑06939/2026) imposta pelo TSE a pedido do seu partido.
  • Em 9 de junho, o senador divulgou uma pesquisa da Gerp que o coloca à frente de Lula (PT) em simulação de segundo turno para 2026.
  • A pesquisa Gerp (BR‑01792/2026) entrevistou 2 000 eleitores entre 2 e 5 de junho, com margem de erro de 2,24 pontos percentuais.
  • No primeiro turno, a mesma pesquisa aponta empate técnico: Flávio 35 % e Lula 34 %, e inclui análise da exposição do senador nas redes.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se calou sobre a censura à pesquisa AtlasIntel determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral a pedido do PL e, nesta terça-feira (9), divulgou uma pesquisa Gerp que o coloca à frente de Lula (PT) em uma simulação de segundo turno para 2026. Na publicação, o senador disse que “ainda tem muito jogo pela frente”, mas não comentou a decisão que barrou a divulgação do levantamento da Atlas.

A postagem ocorreu depois de o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026. A decisão liminar atendeu a um pedido do Partido Liberal, sigla de Flávio Bolsonaro, que alegou indução no questionário contra o senador. Como mostrou a Fórum, a decisão de Nunes Marques atingiu levantamento que mostrava derretimento eleitoral do filho de Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro divulga Gerp e ignora censura à Atlas

No levantamento da Gerp, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em eventual segundo turno. O senador tem 44,7%, contra 39,1% do presidente. A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre 2 e 5 de junho, tem registro BR-01792/2026 e margem de erro informada de 2,24 pontos percentuais.

No primeiro turno, porém, a própria Gerp aponta empate técnico: Flávio Bolsonaro aparece com 35%, e Lula, com 34%. O relatório também dedica um capítulo à exposição do senador nas redes e na mídia. Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados viram, ouviram ou receberam alguma informação sobre Flávio Bolsonaro nos sete dias anteriores à coleta.

A divulgação da Gerp pelo pré-candidato foi feita sem qualquer menção anterior em suas redes à AtlasIntel. Após a derrubada da pesquisa, a AtlasIntel reagiu à decisão do TSE e contestou a suspensão do levantamento que havia colocado Flávio Bolsonaro sob desgaste eleitoral.

Gerp cita Jair Bolsonaro e Tarcísio em vitrine eleitoral

A Gerp não se apresenta apenas como instituto de pesquisas eleitorais. Em sua página oficial de serviços para campanhas, a empresa afirma que pesquisa eleitoral serve para “guiar estratégia de campanha” e diz que a maioria dos levantamentos “nunca chega à imprensa”, porque é usada para definir táticas internas.

Na mesma página, a Gerp lista Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas entre os “candidatos e gestores que já confiaram” na empresa. O site também cita nomes de outros campos políticos, mas a presença do ex-presidente e do governador de São Paulo coloca figuras centrais do bolsonarismo na vitrine comercial do instituto.

A própria Gerp afirma ainda que pesquisas publicadas na imprensa informam o eleitor, movem militâncias e alimentam estratégias de aliança. O ponto dá peso político à divulgação feita por Flávio Bolsonaro em meio à ofensiva do PL contra a AtlasIntel.

Pesquisa Gerp errou Bolsonaro contra Lula em 2022

O histórico da pesquisa Gerp também pesa no contraste. Em 27 de outubro de 2022, três dias antes do segundo turno presidencial, o instituto apontou Jair Bolsonaro à frente de Lula por 52% a 48% nos votos válidos.

O resultado oficial foi o inverso. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Lula venceu a eleição de 2022 com 60.345.999 votos, o equivalente a 50,90% dos votos válidos. Bolsonaro recebeu 58.206.354 votos, ou 49,10%.

A nova divulgação acontece no momento em que o PL tenta controlar o impacto eleitoral de levantamentos desfavoráveis a Flávio Bolsonaro. A disputa em torno da Atlas também recolocou no centro do debate o áudio em que Flávio aparece cobrando Daniel Vorcaro, do Banco Master, por apoio de investidores e da Faria Lima.

Não há, nos documentos consultados, prova de contrato atual entre a Gerp e a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O que há é um histórico público: a empresa vende pesquisa eleitoral como instrumento de estratégia política, exibe Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em sua vitrine comercial e já divulgou levantamento que apontou vitória de Bolsonaro em 2022, embora Lula tenha vencido nas urnas.


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