Documentos revelados pelo jornal britânico The Guardian mostram que o governo dos Estados Unidos redirecionou mais de US$ 175 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia para financiar projetos conservadores dentro do Brasil, em plena disputa pela Presidência da República. A reportagem, publicada em 30 de setembro, aponta que parte da verba foi usada para bancar grupos que atacam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um milhão de dólares contra o STF
Um dos programas citados pelo Guardian, batizado de “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, recebeu US$ 1 milhão dos cofres americanos para apoiar grupos que classificam decisões do STF como censura e abuso judicial. Outros projetos financiados pelo mesmo fundo tratam de anticomunismo, oposição à imigração e crítica a políticas de diversidade. O jornal britânico traça um paralelo com a Guerra Fria e o apoio dos EUA a opositores de João Goulart antes do golpe de 1964 — com uma diferença: hoje a interferência é declarada, não clandestina.
Tarifaço e pressão diplomática
A ofensiva financeira se soma à pressão comercial que o governo Trump já vinha aplicando sobre o Brasil, com tarifa de 25% sobre produtos brasileiros atrelada ao processo que corre contra Jair Bolsonaro. Brasília já havia acusado Washington de usar a política comercial como instrumento de interferência eleitoral, acusação que o governo americano nega. Lula tem aproveitado o momento para se apresentar à população como o presidente que resiste às pressões de fora — discurso que, segundo o próprio Guardian, pode produzir o efeito contrário ao pretendido pela Casa Branca.
Flávio Bolsonaro no radar do Guardian
O editorial do jornal britânico também cita um áudio em que Flávio Bolsonaro teria pedido cerca de US$ 27 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro — o senador nega qualquer irregularidade. Para o Guardian, o Brasil é hoje o principal palco de uma “onda laranja” de políticos de direita alinhados a Trump que avançam na América Latina, ao lado de vitórias em países como Argentina, Chile, Costa Rica e Colômbia.
A Agência Brasileira de Inteligência já apresentou a representantes da França e da Alemanha um levantamento sobre supostas interferências dos Estados Unidos e da Rússia no processo eleitoral brasileiro. Na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, Lula evitou citar os Estados Unidos diretamente, mas avisou que o Brasil não vai permitir que “inimigos da democracia, internos ou externos” atuem contra a vontade das urnas. O governo americano ainda não confirmou oficialmente as acusações levantadas pela reportagem.
Por: TonyLucas/ focobr.com




