IníciomundoEspanha: casar custa mais 10 mil euros em 2026

Espanha: casar custa mais 10 mil euros em 2026

Há algo que quase todos os estudos sobre casamentos em Espanha confirmam, ainda que nem sempre coincidam no valor exato: casar fica caro e, quase sempre, mais do que o casal tinha calculado. O que muda é o ponto de partida.


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De acordo com o Relatório do Setor Nupcial 2026 do ‘Bodas.net’, elaborado com base no testemunho de mais de 2.000 casais que casaram em 2025, o custo médio de um casamento em Espanha é de 25.183 euros, sem incluir lua de mel nem anel de noivado.

Um estudo distinto, publicado pela plataforma financeira Raisin e baseado num inquérito a 1.500 pessoas, eleva esse valor para 32.355 euros. A diferença entre ambos os montantes, mais de 7.000 euros, não é um erro: os dois apontam na mesma direção.

Orçamento inicial raramente sobrevive à organização

Apenas 41 % dos casais consegue manter-se dentro do orçamento inicial, enquanto 45 % acaba por gastar mais do que tinha planeado. Os dados da Raisin vão um pouco mais longe e elevam essa percentagem para 70 %, com 20 % dos inquiridos a reconhecer que ultrapassou o orçamento em mais de um quinto do total previsto.

Quase metade dos casais destina 53 % do orçamento ao local da celebração e ao catering. A despesa média por convidado sobe para 225 euros, mais 6 % do que no ano anterior. O número de participantes também varia consoante a fonte: a Raisin aponta para uma média de 108 convidados, enquanto o relatório do ‘Bodas.net’ fixa esse número em 123 pessoas, com diferenças entre gerações: 115 para os millennials, 118 para a geração Z e 82 para a geração X.

Financiar toda essa despesa exige tempo e, muitas vezes, ajuda externa. 82 % dos casais recorre às próprias poupanças, mas o apoio da família continua a ser habitual: mais de metade recebe dinheiro dos pais e quase três em cada dez contam também com os presentes em dinheiro dos convidados. Poupar para o casamento demora em média cerca de 25 meses, embora 22 % precise de entre três e cinco anos.

Entre 2025 e 2026, o custo médio aumentou cerca de 10.000 euros. Segundo estimativas de especialistas do setor, o custo mínimo para casar em Espanha com cerca de uma centena de convidados ronda os 24.600 euros, o que implica poupar perto de 900 euros por mês durante mais de dois anos.

Nove fornecedores e catering pesa mais na fatura

Os casais contratam em média nove serviços diferentes para o casamento. A fotografia lidera a lista, presente em 90 % das celebrações, seguida do catering (84 %), do vestido e dos acessórios de noiva (78 %), do local da celebração (78 %) e da música ou animação (75 %). Mas nem todos têm o mesmo peso no orçamento.

O catering é, de longe, a rubrica mais cara, com uma despesa média em torno dos 7.126 euros, segundo a Raisin, e mais de um em cada quatro casais ultrapassa os 10.000 euros só nessa categoria. A repartição típica do orçamento de um casamento em Espanha atribui 53 % do total ao banquete e ao espaço, cerca de 10 % ao vestuário e beleza, 8 % à fotografia e vídeo, 6 % à decoração e flores e 5 % à música.

Quando o dinheiro não chega, a lista de convidados é a primeira coisa a ser reduzida. Mais de seis em cada dez casais admite ter ajustado algum aspeto da celebração por razões económicas. Reduzir a lista de 150 para 80 convidados pode representar uma poupança entre 7.000 e 15.000 euros. É a principal alavanca do orçamento.

Custo invisível: stress, discussões e casa adiada

Há um efeito dos casamentos que não aparece em nenhum orçamento. 95 % dos casais admite ter sentido algum nível de stress financeiro durante a organização e 65 % teve algum desacordo económico com o parceiro nesse processo. Metade reconhece que a experiência levou a repensar a forma como gerem o dinheiro em conjunto.

O impacto mais duradouro, contudo, surge depois. Quase nove em cada dez casais afirma que o casamento afetou algum objetivo financeiro. O mais referido é a compra de uma casa, que 30 % dos inquiridos considera diretamente afetada.

Não é um dado menor. Segundo a última edição do Inquérito às Condições de Vida, apresentada no final de 2025, as condições económicas das pessoas entre os 25 e os 35 anos foram particularmente atingidas nos últimos anos devido à situação da habitação. Apenas 15,2 % dos jovens entre os 16 e os 29 anos vive de forma independente, o nível mais baixo desde o início destes estudos, em 2006.

O ‘Fotocasa’ calcula que a parte do salário médio destinada à renda passou de 38 % em 2019 para 50 % em 2025, com valores que, no caso dos madrilenos, chegam aos 71 % do ordenado. Neste contexto, gastar entre 25.000 e 32.000 euros numa celebração, ainda que financiada com anos de poupança prévia, é uma decisão com consequências concretas no acesso à habitação de muitos casais.

Aquilo a que o setor chama “o dia mais especial” pode, na prática, adiar vários anos um dos objetivos financeiros mais importantes de uma vida a dois.

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