Cientistas descobrem nova espécie de felino selvagem pela primeira vez em mais de 100 anos

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Cientistas descobrem nova espécie de felino selvagem pela primeira vez em mais de 100 anos

Um pequeno gato selvagem encontrado nos Andes bolivianos acaba de reescrever um pedaço da árvore genealógica dos felinos. Batizada de Leopardus tilcayo, a espécie foi identificada na ecorregião da floresta de Yungas, na encosta oriental da Cordilheira dos Andes, na Bolívia, e é a primeira nova espécie de felídeo descrita em mais de 100 anos — um intervalo e tanto para quem pensava que já se sabia praticamente tudo sobre os gatos selvagens do continente.

A descoberta tem assinatura latino-americana: a bióloga boliviana Paola Nogales-Ascarrunz, exploradora da National Geographic e fundadora do Bolivian Felids Research Program, liderou o trabalho ao lado do geneticista Eduardo Eizirik, da PUC do Rio Grande do Sul, e de Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica. O animal é pequeno, pesa cerca de 2,5 quilos, tem rosto pequeno e enrugado, orelhas curtas e arredondadas, bigodes longos e manchas parecidas com as de leopardo, só que em rosetas maiores do que as de espécies próximas.

Não foi só o olhar clínico que confirmou a novidade. Os pesquisadores fizeram análises genômicas completas de 38 indivíduos do gênero Leopardus e constataram uma divergência evolutiva de aproximadamente 1,4 milhão de anos — uma diferença geneticamente comparável à que separa leões modernos de espécies de leões já extintas. Ou seja, não é uma simples variação regional: é uma linhagem própria, que passou despercebida por gerações de cientistas.

O estudo foi publicado em 17 de setembro na revista científica Current Biology e tem um efeito imediato sobre a classificação dos chamados gatos-do-mato: o grupo, que até então era tratado como uma única espécie, passa a ser dividido em cinco. É o tipo de achado que lembra como ainda há muito para descobrir mesmo em regiões já bastante estudadas — bastou olhar com mais atenção para os detalhes que ninguém tinha parado para comparar.

Fonte: National Geographic Brasil.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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