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Ação da Casas Bahia (BHIA3) despenca após pedido de recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bi

As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) operam em forte queda na B3, desabando quase 30% nas primeiras horas do pregão desta segunda-feira, após a companhia protocolar pedido de recuperação judicial perante o Juízo de Falências da Justiça de São Paulo. O requerimento abrange dez empresas do conglomerado — incluindo subsidiárias como a fabricante de móveis Bartira, Cnova e a ASAP Log — e declara um passivo total sujeito à reestruturação da ordem de R$ 17,3 bilhões. O movimento reflete o agravamento vertiginoso da crise de liquidez da varejista, que já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024 para repactuar R$ 4,1 bilhões.

A decisão pela proteção judicial vem acompanhada pela divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, no qual o grupo reportou um prejuízo líquido recorde de R$ 10,1 bilhões — número 18 vezes superior às perdas registradas no mesmo período do ano anterior.O resultado foi fortemente impactado por eventos não recorrentes, em especial baixas de ativos fiscais diferidos e de ágio.Com isso, o patrimônio líquido da companhia fechou o trimestre negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões, levando a auditoria Ernst & Young (EY) a abster-se formalmente de emitir opinião sobre as demonstrações financeiras, alegando “incerteza relevante relacionada à continuidade operacional” da empresa.

O clima de tensão institucional refletiu-se diretamente na alta cúpula do grupo. Pouco antes de o pedido ser formalizado, os conselheiros de administração Jackson Schneider e Rogério Calderón apresentaram pedido de renúncia, assim como o diretor jurídico e tributário Fábio Spina.Na petição encaminhada à Justiça, a varejista atribui a deterioração de suas condições econômico-financeiras à permanência de juros altos, à forte restrição de crédito e ao encarecimento das despesas financeiras, que estrangularam o capital de giro necessário para manter a cadeia de suprimentos ativa.

A lista de credores demonstra forte exposição de grandes instituições financeiras, fundos de investimento e indústrias de eletroeletrônicos. Entre as maiores obrigações quirografárias citadas estão débitos com o Banco Digio, Zurich Minas Brasil, Samsung, Electrolux e Whirlpool. Para manter a operação abastecida durante o período de suspensão das execuções (conhecido como stay period), a companhia abriu negociações para obter um financiamento do tipo DIP (debtor-in-possession) de aproximadamente R$ 1 bilhão, capitaneado por bancos credores, que servirá como fôlego de curto prazo enquanto o plano de recuperação é desenhado.

A entrada em recuperação judicial desloca os holofotes do mercado para a capacidade da Casas Bahia de preservar caixa, negociar os descontos necessários com a base de credores e assegurar o abastecimento das lojas para o segundo semestre. Sem perspectivas imediatas de melhora no ambiente de crédito comercial, o papel BHIA3 acumula perdas superiores a 75% ao longo do ano, com analistas ajustando projeções para avaliar se a reestruturação será suficiente para garantir a sobrevivência de uma das redes mais tradicionais do varejo brasileiro.

— Da Redação/Focobr.com

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