Três dias depois da reeleição de Lula, a extrema direita segue sem aceitar a derrota e espalha nas redes a tese de que a vitória do presidente seria “matematicamente impossível”. A mentira corre em vídeos, grupos de Telegram e perfis de aliados de Flávio Bolsonaro, que tentam transformar o resultado das urnas, confirmado pelo TSE, em suspeita de fraude sem apresentar uma única prova.
Os números desmontam a farsa. No segundo turno, domingo (25), Lula teve 51,79% dos votos válidos, 64,3 milhões, contra 48,21% de Flávio, 59,8 milhões. A diferença passou de 4,4 milhões de votos. A abstenção caiu para 19,22%, a menor desde 2006, e cerca de 2,9 milhões de eleitores a mais foram às urnas em relação ao primeiro turno.
A virada tem explicação simples. Lula ganhou 10,3 milhões de votos entre um turno e outro, contra 3,7 milhões de Flávio, puxado pelo Nordeste e pelo Sudeste. Só em São Paulo foram 2,61 milhões de votos a mais, e em Minas Gerais o presidente venceu por 50,4% a 49,6%. Brancos e nulos também caíram, de 4,77% para 3,24% do total.
O outro alvo é a extensão do horário de votação até as 19h, autorizada pelo ministro Cristiano Zanin para as seções que ainda tinham fila. Foram cerca de 35 mil votos registrados depois das 17h, menos de 1% da diferença final, incapazes de mudar o resultado mesmo que todos tivessem ido para Flávio. A própria campanha dele também pediu duas horas a mais, alegando chuva no Sul e no Sudeste.
Entre os que alimentam a tese estão o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Eduardo Bolsonaro, que gravou vídeo em inglês pedindo que o mundo “não reconheça” a eleição. Flávio anunciou pedido de anulação e disse que fiscais do PL foram tirados da sala-cofre. O TSE rebateu: os representantes do partido acompanharam a totalização, e o presidente da Corte, Nunes Marques, garantiu a segurança de todo o processo.
Na leitura do FocoBR, é o roteiro de 2022 com outra cara. Quem perde no voto tenta ganhar no grito, e agora o grito vem dos Estados Unidos. Não há boletim de urna, auditoria ou número que sustente fraude, mas a mentira não precisa de prova, precisa de compartilhamento. O eleitor que enfrentou fila no domingo merece respeito, e o resultado é um só: Lula venceu.
Por: TonyLucas/ focobr.com




