Povo vence o boicote: Lula é reeleito presidente com 51,7% dos votos

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Povo vence o boicote: Lula é reeleito presidente com 51,7% dos votos

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Com 97,69% das seções totalizadas, Lula tinha 62.641.973 votos, 51,74% dos válidos, contra 58.436.437 de Flávio, 48,26%. A diferença passa de 4,2 milhões de votos, e a Justiça Eleitoral já considerava a disputa matematicamente definida.

A noite teve virada. Segundo a apuração do TSE, Lula liderou às 19h39, Flávio assumiu a frente às 20h05, e o petista retomou a liderança às 20h30, com 53,13% das seções apuradas, e não saiu mais da frente.

Lula em ato de campanha
Lula em ato de campanha

A vitória veio num dia em que tentaram impedir o povo de votar: a campanha de Lula denunciou redução de frota de ônibus em cidades administradas por prefeitos de oposição, justamente onde mora o trabalhador que depende do transporte para chegar à urna. Em São Paulo, a coligação do presidente acionou a Justiça Eleitoral e afirmou que a prefeitura operava com 60% da frota, apesar de decisão do juiz Tiago Ducatti Machado que, no sábado (24), mandou circular 100% dos ônibus.

Em Salvador, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) denunciou corte de mais de 50% na frota em relação aos dias úteis. O TRE-BA mandou recompor 100% dos ônibus, com multa de R$ 1 milhão por hora, e determinou a prisão em flagrante do secretário de Mobilidade, Pablo Souza. O prefeito Bruno Reis (União) disse que os ônibus ficaram nas garagens por causa de adesivos de propaganda eleitoral.

Lula levou o caso ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e ao vice, André Mendonça, e pediu a prorrogação da votação até as 19h nos locais afetados. A campanha incluiu Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, e pediu que a Polícia Federal investigue quem atrapalhou o deslocamento dos eleitores.

O presidente classificou a situação de abominável e de banditismo. Citou São Paulo, Salvador, Petrópolis, Teresina, Feira de Santana, Recife, Maceió e João Pessoa, além de balsas paradas no Pará, e disse que, passada a eleição, o próximo passo é pedir a prisão dos prefeitos envolvidos. Ele comparou com 2022, quando as blitze da PRF se concentraram no interior e no Nordeste, e afirmou que desta vez a medida atingiu São Paulo e visava impedir o voto de trabalhadores e moradores da periferia. Seu apelo foi para que ninguém desistisse de votar.

A reação veio também da cultura. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sophie Charlotte e Camila Pitanga gravaram apelo e chamaram a redução de ônibus de manobra para impedir o povo de votar e de atentado contra o processo democrático. A campanha de Lula levou petição urgente à Justiça Eleitoral e ao STF, cobrindo cidades de nove estados.

Em Sergipe, o TRE-SE mandou recompor a frota intermunicipal depois de denúncia da federação do PT, e o DER-SE reforçou a frota com 20 veículos. Em Pernambuco, o governo de Raquel Lyra (PSD) foi acusado por MP, TRE-PE e passageiros de falhar na gratuidade de transporte.

As pesquisas já indicavam disputa apertada, e o povo decidiu no voto. A última Vox Brasil, divulgada na sexta (23), apontava 50,6% para Lula e 49,4% para Flávio, empate técnico, enquanto a CNT/MDA, na véspera, mostrava Flávio com 46,3% e Lula com 45%. O resultado das urnas confirmou a margem estreita, com vantagem final de Lula de 3,5 pontos percentuais nos votos válidos.

Lula conquista o quarto mandato como presidente, o segundo consecutivo. O recado das urnas é claro: quem tentou travar o transporte para esvaziar o voto popular perdeu, e a democracia venceu nas filas, nos ônibus lotados e na paciência de quem esperou para votar. A confirmação oficial do resultado cabe ao TSE, após o fim da totalização.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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