Não é força de expressão: a vinda de Lula ao Recife nesta sexta-feira (25) pode ser o momento que decide a eleição em Pernambuco. E quem primeiro entendeu isso não fomos nós, foi o próprio entorno da governadora, que tentou, através do ex-ministro Rui Costa, segurar a vinda do presidente ainda no primeiro turno. Não conseguiu. Lula desembarca vindo de Alagoas, vai discursar em cima de um trio elétrico — não num palanque qualquer — e vai caminhar ao lado de João Campos pela cidade que o aguarda para o dia mais importante das eleições no Estado.
Os números já vinham derretendo para o lado de Raquel Lyra antes mesmo dessa visita. As pesquisas mais recentes mostram um empate técnico, com vantagem mínima da governadora, dentro da margem de erro — o tipo de cenário que, faltando pouco mais de uma semana para a votação, é sinônimo de eleição em aberto. Com Lula em campo, ao lado do candidato que ele mesmo ajudou a construir, a expectativa dentro do próprio PSB é de um salto de 7 a 8 pontos para João Campos nas próximas rodadas. Não seria surpresa nenhuma ver essa reta final virar de vez.
Porque, convenhamos, a campanha de Raquel Lyra não está numa fase boa para ninguém que goste dela. O episódio do “faz sem ela saber” — a governadora sugerindo, em vídeo, que uma laqueadura fosse feita numa mulher sem que ela soubesse — ainda ecoa e vem sendo repudiado por todo lado, do Senado aos movimentos de mulheres que foram protestar em frente ao Palácio do Campo das Princesas.
E tem mais: uma investigação da Polícia Federal expôs uma rede de mais de 300 perfis fake pagando militância digital para atacar João Campos e inflar a imagem da governadora, com direito a pagamentos de R$ 75 por semana via Pix, coordenados por uma advogada ligada a uma casa de apostas e por aliados do próprio governo — inclusive um prefeito da base de Lyra. Um servidor já foi exonerado por causa disso. Ou seja: não é só a narrativa que está desmoronando, é a estrutura por trás dela.
Some tudo isso — laqueadura, milícia digital investigada pela PF, governo desgastado — com a chegada de Lula numa cidade que é dele por nascimento, e fica difícil enxergar outro caminho que não seja o de João Campos abrindo vantagem de vez. A queda de Raquel Lyra, a essa altura, parece menos uma possibilidade e mais uma questão de tempo.
Por: TonyLucas/ focobr.com




