Lula já mudou o discurso de campanha e virada de chave só cresce a 15 dias da eleição

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Lula já mudou o discurso de campanha e virada de chave só cresce a 15 dias da eleição

Não é mais um pedido para que aconteça: a mudança na campanha de Lula já está em curso e vem se acentuando a cada semana. O presidente abandonou o discurso mais abstrato sobre soberania nacional e minerais raros e passou a falar da vida concreta das pessoas — Bolsa Família, regulação das bets, SUS e até remédios para emagrecer entraram na pauta diária, num giro que a própria militância pedia há dias.

O estopim veio de dentro do PT. Em 9 de setembro, a Articulação de Esquerda, corrente interna do partido, divulgou um documento com 13 resoluções cobrando mobilização em “escala 7×0” até 25 de outubro, prioridade total à candidatura presidencial e a ordem de “enfrentar fogo com fogo, ideologia de esquerda contra ideologia de direita”. O aviso era claro: a cada nova pesquisa, a distância para Flávio Bolsonaro encolhia, e o grupo chegou a citar a Colômbia como exemplo do preço de subestimar a extrema direita.

Três dias depois, em 12 de setembro, o Datafolha confirmou o motivo da pressa: pela primeira vez, Lula e Flávio Bolsonaro empataram em rejeição, 46% a 46%, e a vantagem de Lula no primeiro turno encolheu de 5 para 4 pontos (39% a 35%). Aliados como Fernando Haddad e o coordenador de campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, passaram a cobrar publicamente uma virada de tom. Lula reagiu na prática: citou nome ao dizer que “se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar”, admitiu que “o custo de vida está caro” mesmo com indicadores econômicos favoráveis e defendeu mandato fixo para ministros do STF.

Nesta semana, a mudança já aparece consolidada nas peças de campanha, como registrou o Blog do Rovai, na Revista Fórum. O contraste com o adversário é usado sem meias palavras: enquanto Flávio Bolsonaro “aparecia com carrinho de supermercado falando dos preços”, a campanha de Lula passou a explorar as contradições dele no caso Vorcaro/Dark Horse e reforçar depoimentos emocionais de quem foi beneficiado por políticas do governo. Faltam 15 dias para a votação de 4 de outubro, e o que começou como cobrança interna já é, na prática, a nova cara da campanha.

Por: TonyLucas/ focobr.com

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