Moraes nega diálogos com Vorcaro, acusa Mendonça de “tentativa de golpe” e STF empata julgamento em 4 a 4

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Moraes nega diálogos com Vorcaro, acusa Mendonça de “tentativa de golpe” e STF empata julgamento em 4 a 4

O ministro Alexandre de Moraes enviou na noite de segunda-feira (14/9) uma manifestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, negando que tenha havido qualquer diálogo entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. No texto, Moraes classificou como “fantasiosas” as mensagens que a Polícia Federal associou a ele a partir do celular de Vorcaro e foi além: acusou o ministro André Mendonça, responsável por abrir a apuração, de conduzir uma ofensiva contra a Corte que, para ele, equivale a uma nova fase da “tentativa de golpe de Estado” iniciada antes de 8 de janeiro de 2023.

A confusão tem origem na Operação Compliance Zero, que investigou irregularidades no Banco Master e resultou na prisão de Vorcaro. Ao vasculhar o aparelho do ex-banqueiro, a PF produziu um relatório apontando anotações que citavam o nome de Moraes, o que foi lido por parte da imprensa e por Mendonça como indício de comunicação entre os dois. Moraes rebate ponto a ponto: diz que não existe “uma única mensagem ou bloco de notas” de sua autoria no material, que nunca julgou processos de interesse direto de Vorcaro e que a própria operação, bem-sucedida e sem vazamentos, contraria qualquer tese de favorecimento.

O caso foi a julgamento em sessão extraordinária nesta terça-feira (15/9), mas o STF encerrou os trabalhos sem decidir se o processo aberto por Mendonça deve ser anulado ou incorporado ao inquérito que já envolve Moraes. A votação sobre unificar os dois procedimentos terminou empatada em 4 a 4: votaram pela junção Gilmar Mendes, o próprio Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin; contra, Edson Fachin, Luiz Fux, André Mendonça e Cármen Lúcia. Flávio Dino chegou a sinalizar voto favorável à unificação, mas pediu vista, o que tirou seu voto do placar por ora — Gilmar Mendes propôs retomar o julgamento em 23 de setembro, já com a posição formal de Dino.

A sessão marcou mais um capítulo de uma crise sem precedentes recentes dentro do próprio Supremo, com trocas duras entre os dois ministros: Moraes chamou a conduta de Mendonça de “máfia”, enquanto o colega classificou as acusações como “irresponsáveis”. No centro da disputa está uma questão institucional espinhosa — se um ministro do STF pode abrir, por conta própria, uma investigação contra outro integrante da Corte, sem provocação da Procuradoria-Geral da República e sem aval do colegiado. A definição, agora adiada, deve pautar o noticiário político até a próxima sessão.

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