O governo britânico procurou tranquilizar nesta terça-feira (15) as empresas que operam nas Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos), num momento em que a Argentina do presidente Javier Milei promete endurecer ainda mais as sanções contra quem explora recursos no arquipélago disputado pelos dois países no Atlântico Sul. A mensagem de Londres busca segurar o nervosismo de operadoras e investidores diante da escalada anunciada por Buenos Aires nos últimos dias.
A ofensiva argentina tem como alvo principal o projeto petrolífero Sea Lion, tocado pela israelense Navitas Petroleum e pela britânica Rockhopper Exploration, com reservas estimadas em 1,7 bilhão de barris e início de produção previsto para 2028. Milei já havia sancionado a Rockhopper em 2013 e a Navitas em 2022 com base na Lei 26.659, de 2011, e agora prepara um novo projeto de lei para ampliar as penalidades a acionistas, administradores, fornecedores e operadores indiretos das companhias — segundo assessores do Congresso argentino, a medida pode chegar a alcançar até o setor pesqueiro. O chanceler argentino afirma que o país já enviou cerca de 180 notas de dissuasão a empresas e governos de 29 países diferentes.
O momento da escalada argentina não é casual: ela ocorre logo depois de o presidente americano Donald Trump sinalizar que os Estados Unidos “reavaliam constantemente” sua posição sobre a disputa, sem garantir apoio automático ao Reino Unido em caso de crise. Apesar da ambiguidade de Washington, não há reconhecimento formal americano da soberania argentina nem qualquer retirada declarada de apoio político a Londres — os EUA seguem oficialmente neutros quanto à soberania, mas reconhecem a administração britânica de fato sobre as ilhas.
Do lado britânico, a posição pública segue sendo a mesma de sempre: o governo defende o direito à autodeterminação dos cerca de 3,2 mil habitantes do arquipélago, lembrando que um referendo de 2013 registrou apoio de 99,8% à permanência como território britânico. Autoridades do Reino Unido atribuem a escalada de Milei à conjuntura política interna argentina e à queda de popularidade do presidente, mas o recado de hoje às empresas mostra que Londres não quer deixar o setor produtivo das ilhas — sobretudo o petrolífero — à mercê da pressão argentina enquanto a disputa diplomática se arrasta.

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