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- O 14.º Fórum de Lisboa foi inaugurado nesta manhã (1º) em Lisboa, organizado pelo IDP, FGV e Universidade de Lisboa.
- O tema oficial da edição é “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”.
- A mesa de abertura reuniu representantes do alto escalão do Judiciário, do Legislativo brasileiro e da academia.
- O evento ocorre sob a sombra do escândalo do Banco Master, que envolve parlamentares e magistrados, gerando clima de cautela e expectativa de participação reduzida.
De LISBOA | O tradicional Fórum de Lisboa, que já se consolidou como o maior evento político do Brasil em termos de participação de autoridades, apesar de realizado no exterior e de carregar uma bagagem pesada de críticas por isso, abriu as portas da sua 14ª edição nesta manhã (1º). O encontro, que até 2024 era batizado oficialmente de Fórum Jurídico de Lisboa, é organizado pelo IDP (instituição privada de ensino superior que pertence ao ministro do STF Gilmar Mendes) em parceria com a FGV e com a Universidade de Lisboa.
Para este ano, o mote oficial coloca na mesa discussões de atualíssimas: “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”. No entanto, o que dita o ritmo nos corredores da capital portuguesa passa muito longe da teoria acadêmica e do cenário mundial conturbado.
A mesa de abertura foi de peso, reunindo o primeiro escalão do Judiciário, do Legislativo brasileiro e da academia. Mas a imponência institucional não conseguiu disfarçar a atmosfera de tensão. A expectativa geral nos bastidores é a de uma edição visivelmente mais esvaziada que as anteriores, reflexo direto por começar sob a densa sombra do escândalo do Banco Master. Como o caso envolve diretamente autoridades políticas parlamentares e figuras de proa do Judiciário, o clima de cautela é absoluto.
Silêncio como blindagem
Nos grupos de jornalistas que cobrem o evento, o “climão” era o assunto central. Havia uma forte demanda por respostas sobre temas de impacto internacional, como a recente e bombástica declaração dos EUA classificando o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. Contudo, não há como fugir do fato político: as informações e desdobramentos sobre o caso do banqueiro Daniel Vorcaro continuam sendo a pauta que realmente paralisa as atenções em Lisboa.
O termômetro desse desconforto ficou evidente na postura dos integrantes da mesa. Curiosamente, todos os participantes da abertura evitaram de forma categórica qualquer contato ou declaração à imprensa, pelo menos nessas primeiras horas da manhã. Para quem acompanha os meandros do poder, a conclusão é inevitável: a blindagem coletiva e o voto de silêncio têm tudo a ver com o fantasma do caso Master.
Compuseram essa ruidosa e silenciosa mesa de abertura o ministro do STF Gilmar Ferreira Mendes; o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB); e o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e coordenador acadêmico da FGV Justiça, Luis Felipe Salomão. Também integraram o dispositivo o reitor da Universidade de Lisboa, Luís Manuel dos Anjos Ferreira; o professor catedrático Carlos Blanco de Morais, coordenador científico do Lisbon Public Law Research Centre e consultor sénior do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros de Portugal; além de Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da Fundação Getulio Vargas (FGV), e Beto Simonetti, presidente do Conselho Federal da OAB.
Discursos
Como é habitual, a primeira fala foi realizada pelo minsitro Gilmar Mendes, o anfitrião do evento. Ele agradeceu aos parceiros que permitiram este 14º de Lisboa e ainda fez uma saudação às autoridades que compunham a primeira mesa. Na sequência, o deputado Hugo Motta falou sobre as recentes aprovações do Congresso Nacional e citou especificamente o fim da escala 6×1, que passou na Câmara e aguarda tramitação no Senado, e as leis de proteção às crianças, com menção especial ao chamado “Eca Digital”. Por fim, o ministro Alexandre de Moraes falou brevemente sobre os desafios atuais da humanidade e sobre os perigos dos algoritmos das redes e da Inteligência Artificial, que necessitam de regulação para que não sirvam ao mal.
