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“Star Wars com trilha sonora de rock e uma princesa Leia nua”: Quando George Lucas protestava em 1988 contra a modificação de clássicos

Em 1988, o criador de Star Wars foi convidado a depor perante o Congresso americano sobre a colorização de filmes clássicos, um processo tecnológico que gerava grande controvérsia na época…

“Eu sou um daqueles centralizadores, e não posso evitar. Então, cheguei à conclusão de que abriria mão disso, aproveitaria o que tinha. E estava ansioso para dedicar tempo à minha filha. Também queria construir um museu (…) Passei minha vida inteira criando Star Wars — 40 anos — e abrir mão disso foi muito, muito doloroso. Mas era a coisa certa a se fazer”.

Essas foram as palavras de George Lucas, oito anos após vender seu império Lucasfilm para a Disney por 4,05 bilhões de dólares, citadas pelo autor Paul Duncan em seu livro The Star Wars Archives.

No fim das contas, Lucas adotou a postura de um verdadeiro autor, controlando toda a cadeia de produção por meio de seu império e de suas subsidiárias, inteiramente a serviço de sua imaginação e visão artística, que influenciaram profundamente e marcaram a história do cinema e da cultura pop.

George Lucas contra a colorização de filmes

Com o sucesso de Star Wars e também de Indiana Jones — do qual é cocriador ao lado de Steven Spielberg —, Lucas tinha uma grande influência nos bastidores de Hollywood e muito além nos anos 1980. Em 1988, ele foi convocado pelo Congresso dos Estados Unidos para opinar sobre a colorização de filmes antigos, uma prática que vinha se generalizando devido ao crescimento do mercado de vídeo doméstico (home video).

Em meados da década de 1980, o processo gerou uma controvérsia considerável, especialmente nos Estados Unidos. Os defensores da técnica argumentavam que ela permitiria que os filmes em preto e branco alcançassem um novo público, não acostumado a esse formato. O magnata da mídia americana Ted Turner, defensor ferrenho da colorização, causou grande clamor público quando anunciou à imprensa, em julho de 1988, que planejava colorizar o clássico Cidadão Kane.

Mercury Productions / RKO Radio Pictures

O risco ao patrimônio artístico

Foi nesse contexto que Lucas foi convidado a se pronunciar perante os parlamentares:

“A questão prática é a colorização, mas o que me levou a me envolver vai muito além disso. Não acho que as pessoas realmente se importem com a colorização, mas se perceberem que todo o patrimônio artístico corre o risco de ser destruído, talvez entendam que é preciso agir. O que eu não quero ver de jeito nenhum é um Star Wars com uma trilha sonora de rock e uma princesa Leia nua.”

A intenção era, portanto, preservar a integridade original das obras. Ironicamente, o diretor não hesitou em reformular sua trilogia original de Star Wars quando ela foi relançada nos cinemas em 1997, trazendo inúmeras adições em computação gráfica (CGI) que fizeram os puristas gritarem de horror.

Backgrid UK / Bestimage

Em certo sentido, guardadas as devidas proporções, George Lucas sofre um pouco da “síndrome de Abel Gance“: o cineasta francês também passou a vida inteira reformulando incessantemente sua obra-prima, Napoleão.

Vale concluir lembrando que Star Wars deve ser relançado no ano que vem, em comemoração ao seu aniversário de 50 anos, na versão original de 1977 — exatamente como os espectadores descobriram esse monumento da cultura pop pela primeira vez nas telonas.

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