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Setor privado mira reduzir danos enquanto governo busca acordo com EUA

Representantes do setor produtivo brasileiro miram reduzir os danos da possível aplicação de um tarifaço de até 25% por parte dos Estados Unidos, enquanto o governo federal ainda busca um acordo com os americanos.

O foco do setor privado tem sido tentar ampliar a lista de exceções às tarifas e reforçar argumentos de que a medida também prejudicará empresas e consumidores americanos.

A estratégia já foi aplicada no primeiro dia da audiência pública da investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), realizada nesta segunda-feira (6).

A audiência reuniu cerca de 40 representantes de entidades empresariais brasileiras e americanas, divididos em sete painéis, e vai ajudar a servir de base para a decisão da Casa Branca sobre a aplicação de tarifas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras. A conclusão do processo é esperada para 15 de julho.

Durante a audiência, representantes do setor privado argumentaram que o tarifaço também terá efeitos negativos para a economia do país, ao elevar o custo de insumos utilizados pela indústria dos Estados Unidos e encarecer produtos para empresas e consumidores.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), por exemplo, também sustentou que a sobretaxa pode produzir um efeito contrário ao desejado pelo governo de Donald Trump.

Segundo a entidade, a medida tende a fortalecer concorrentes asiáticos, especialmente a China, no mercado brasileiro, reduzindo a influência econômica dos Estados Unidos no país.

Parte do empresariado defende ainda que uma eventual negociação inclua a ampliação do acesso de produtos americanos ao mercado brasileiro e o aprofundamento da cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos. Apesar disso, as tratativas entre Brasília e Washington seguem sem avanços concretos.

De acordo com estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser atingidos pelas novas tarifas, o equivalente a cerca de US$ 14,9 bilhões em vendas aos Estados Unidos.

O governo brasileiro já respondeu às acusações apresentadas pelos americanos e sinaliza disposição para discutir medidas adicionais, mas sem abrir mão de temas considerados estratégicos para a soberania nacional, como o Pix. A expectativa, porém, é por um retorno formal do governo americano.

A avaliação até o momento é de que as chances da Casa Branca desistir da sobretaxação sobre produtos brasileiros são baixas.

Na diplomacia e no empresariado, há uma percepção de que o caso brasileiro faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para estimular a reindustrialização dos Estados Unidos, o que reduz as chances de um acordo no curto prazo.

Além da frente diplomática, o Itamaraty acompanha as audiências por meio de observadores.

Nesta terça-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, terá cinco minutos para falar no segundo e último dia de audiência. Ele tem se posto contra o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos dias após sua visita a Trump.

Paulo Figueiredo, aliado de primeira hora de Flávio, desistiu de participar da audiência desta segunda. Ele afirmou que o protagonismo deve ficar com o senador. A postura vem dias após repercussão negativa de declarações machistas.

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