Os resumos produzidos por ferramentas de inteligência artificial nos buscadores estão reduzindo o tráfego direto de parte dos portais jornalísticos brasileiros e ampliando o debate sobre remuneração por conteúdo. A avaliação consta de reportagem publicada pela Agência Brasil, que reuniu dados de entidades do setor e posições divergentes sobre o Marco Regulatório da IA.
Uma pesquisa da Associação de Jornalismo Digital, a Ajor, aponta que um em cada quatro dos 152 veículos associados perdeu mais de 20% da audiência em 2025. Segundo a diretora de Relações Institucionais da entidade, Carla Egydio, a queda de acessos vindos das ferramentas de busca compromete a captação de publicidade e aprofunda as dificuldades financeiras enfrentadas pelo jornalismo profissional.
O PL 2338 de 2023, em análise na Câmara dos Deputados desde março de 2025, prevê que empresas de inteligência artificial remunerem o uso de obras e reportagens protegidas por direitos autorais. O texto passou pelo Senado, mas não avançou na Câmara durante o primeiro semestre de 2026, apesar de ter sido apresentado como prioridade pela presidência da Casa.
A assessoria do presidente da Câmara, Hugo Motta, informou à Agência Brasil que a definição de uma data depende da apresentação do parecer pelo relator, deputado Aguinaldo Ribeiro. De acordo com a mesma manifestação, a votação deverá ocorrer somente depois das eleições de outubro. A comissão especial responsável pelo tema não se reúne desde novembro de 2025.
A Federação Nacional dos Jornalistas defende a remuneração como forma de proteger o trabalho profissional, enquanto representantes de empresas de tecnologia alegam que as regras podem dificultar o desenvolvimento de modelos nacionais. Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica investiga desde abril a conduta do Google e possíveis efeitos do uso de conteúdo jornalístico sem pagamento aos veículos responsáveis.
