InícioeconomiaPostura de controle da inflação do Fed deve frustrar Trump, diz economista

Postura de controle da inflação do Fed deve frustrar Trump, diz economista

Kevin Warsh fez sua primeira aparição no Congresso norte-americano como presidente do Fed (Federal Reserve), prestando depoimento à Comissão de Serviços Financeiros da Câmara. Na ocasião, afirmou que a prioridade número um do banco central é ajustar a política monetária e reiterou que o comitê não tolerará uma inflação persistentemente elevada nos Estados Unidos.

Em entrevista ao CNN Money, o economista Marcelo Fonseca avaliou que o discurso de Warsh representa uma repetição da mensagem dura com relação à inflação já adotada em sua primeira reunião à frente do Comitê de Política Monetária.

“O Fed vai buscar, com nenhuma tolerância à inflação, a meta de 2% ao ano”, afirmou Fonseca.

O economista destacou ainda que Warsh sinalizou a intenção de adotar uma comunicação mais enxuta, influenciando menos o comportamento dos mercados e evitando fornecer projeções sobre a economia e as taxas de juros — o que no jargão financeiro é chamado de forward guidance.

Segundo Fonseca, Warsh chegou ao Fed sob desconfiança do mercado quanto à sua independência em relação a Donald Trump, que tem sido “bastante vocal” sobre a necessidade de o banco central reduzir os juros.

“Essa postura de maior independência e de defesa da instituição certamente frustra as expectativas de Donald Trump”, afirmou o economista.

Fonseca acrescentou que existe apoio tanto no Congresso quanto dentro da própria instituição para que o Fed mantenha sua independência, lembrando que o presidente do Fed representa apenas um voto no Comitê de Política Monetária e que os demais membros têm histórico de atuação independente.

Impactos para o Brasil

Questionado sobre os possíveis reflexos para o Brasil, Fonseca alertou que uma eventual alta de juros pelo Fed teria impacto relevante nas variáveis financeiras domésticas, especialmente na taxa de câmbio e nas taxas de juros a prazo. No entanto, ponderou que o mercado já adota uma visão mais conservadora em relação à postura do Fed. “Se no início do ano havia a interpretação de que o Fed poderia voltar a reduzir os juros ainda em 2026, isso já não é mais o caso na precificação das taxas”, explicou.

Para o economista, o principal temor dos mercados seria a necessidade de o Fed voltar a elevar os juros, enquanto uma postura de maior cautela — mantendo as taxas nos níveis atuais por mais tempo — tenderia a ser recebida com otimismo pelos investidores.

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