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PL volta a calcular danos políticos da permanência de Flávio Bolsonaro como candidato

Com o perdão da ironia cinematográfica, a candidatura à presidência de Flávio Bolsonaro (PL) precisa de um renascimento digno de um roteiro de filme, ou pode ser considerada extinta por ausência de credibilidade do postulante.

Faz tempo que, no Brasil, você nem precisa mais parecer honesto igual à mulher de César, ao menos para o grande público. Todo excesso de pragmatismo é canalha, e a verdade é que o eleitor brasileiro é extremamente pragmático quando se trata de uma campanha. O sujeito pode ir visitar o banqueiro bandido, pode pedir dinheiro ao banqueiro bandido. Tudo isso, dependendo da narrativa, acaba sendo absorvido pelo brasileiro imerso num ambiente de calcificação no qual o adversário ideológico é um inimigo a ser derrotado, custe o que custar. O problema de Flávio foi a mentira.

Passar semanas dizendo que nunca teve nada a ver com o Banco Master e com Vorcaro, usar camisa apontando para os adversários e dizendo que eles é quem tinham relação com o banqueiro bandido, para depois aparecer em áudio pedindo dinheiro ao sujeito que é pivô de um dos maiores escândalos desses últimos tempos? E depois de se explicar sobre o áudio, afirmando que na época não sabia das fraudes do banqueiro, admitir que, “na verdade”, o encontrou quando ele já estava em prisão domiciliar, com tornozeleira e tudo?

A lição que Flávio está aprendendo é que o brasileiro até aceita político enrolado, mas não aceita político enrolador.

Prazo

Não é por acaso que a cúpula do PL definiu um prazo de 15 dias para avaliar se mantém ou não a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele tem um plano B, que é ser candidato à reeleição no Senado. O irmão mais novo, Carlos Bolsonaro (PL), que construiu toda a vida política como vereador no Rio de Janeiro é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina e não no RJ, exatamente para manter a possibilidade de Flávio desistir da presidência e ter o caminho livre para uma reeleição, se fosse necessário. Agora, provavelmente será.

Aliados

O maior prejuízo do candidato filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o áudio e com a visita a Vorcaro, hoje, diz respeito mais aos próprios aliados do que aos eleitores. Parte dos eleitores é possível recuperar sob o argumento medíocre e lamentável da “falta de opções viáveis”.

Embora as revelações já tenham maculado a maior parte da narrativa de campanha que seria utilizada, com a moderação e o distanciamento de polêmicas indo para o “beleléu”, manter a candidatura (e a polarização) poderia fazer Flávio seguir como nome mais forte da direita devido ao bolsonarismo e ao antipetismo, mas dificilmente ele venceria a eleição. Os aliados mais próximos sabem dessa possibilidade de derrota e preferem ter alguém que perca a disputa sem prejudicá-los. Flávio, agora, prejudica.

Risco

Mas, caso a candidatura do “Filho 01” suba no telhado, isso também pode ter consequências na campanha de Lula. Toda polarização política beneficia os polos antes de qualquer coisa. Caso o PL não lance um novo candidato ou lance alguém que não represente tanto assim o bolsonarismo, Lula deverá disputar contra outros nomes da direita e a polarização enfraquece.

Candidatos como Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) podem crescer entre eleitores independentes e avançar sobre os eleitores de direita (até bolsonarista) que hoje se declaram a Flávio. Para Lula, é um risco polarizar a disputa com alguém que não tenha o sobrenome Bolsonaro, porque vai obrigar o eleitor a avaliar propostas de futuro e relativizar as implicâncias ideológicas. O melhor adversário para o petismo é o bolsonarismo, e o contrário também é verdadeiro. Se não houver um bolsonaro de quem o petista diz proteger o Brasil, o que Lula irá propor ao país?

Por: Igor Maciel JC

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