Pernambuco e Bahia se dão as mãos nesta terça-feira (20), no meio de uma ponte. Lula faz uma caminhada entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) pela Ponte Presidente Dutra, que liga os dois estados sobre o Rio São Francisco, e transforma a travessia num gesto político: o Nordeste unido contra o bolsonarismo, a cinco dias do segundo turno. A imagem fala por si só, e foi pensada para isso.
A concentração começou às 14h, na Orla 2 de Juazeiro, e a caminhada segue até a Avenida Guararapes, em Petrolina. Com cerca de 35 graus, o calor não segura a militância: são esperadas caravanas do Sertão pernambucano, do norte da Bahia e do sul do Piauí. Lula chega à região depois de um ato em São Luís, no Maranhão, na manhã de hoje, em mais uma maratona de campanha.
É Lula quem dá o tom do dia. Na convocação para o ato, ele afirmou que Pernambuco e Bahia serão os responsáveis pela grande vitória no domingo, e a ponte é a tradução disso em imagem. De um lado, o Rio São Francisco, que sempre uniu os dois estados. Do outro, um presidente que quer mostrar que o voto nordestino segue sendo a base do seu projeto.
Os aliados fecham o cerco em volta da ponte. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), confirmou a agenda e disse que o movimento vai envermelhar a travessia. Também são esperados os senadores Rui Costa, Jaques Wagner, Humberto Costa e Teresa Leitão, a ex-deputada Marília Arraes e o deputado federal Pedro Campos, num palanque que junta Pernambuco e Bahia de ponta a ponta.
Pelo lado pernambucano, o nome que caminha ao lado do presidente é o de João Campos, presidente nacional do PSB. A presença dele pesa porque mostra a aliança de Lula com o socialismo pernambucano na prática, no pé da ponte, e não só no papel. É o recado de que a união entre PT e PSB, que tem Pernambuco como um de seus principais berços, continua de pé e animada.
O território pede trabalho. Petrolina foi o município pernambucano onde Lula mais perdeu votos em relação a 2022: foram 116,7 mil no primeiro turno, 3.380 a menos que quatro anos atrás. Mesmo assim, ele fez 60,2% dos votos válidos na cidade. Ocupar a ponte é um jeito de dizer que a disputa também será travada no quintal do adversário, e não apenas onde a vitória já está dada.
A cidade é governada por quem escolheu o outro lado. A família Coelho e o prefeito de Petrolina apoiam o candidato bolsonarista, e é justamente por isso que o ato vale mais do que o número de gente na rua. Lula atravessa o rio num território que a direita trata como seu, e leva junto os principais nomes do campo progressista de dois estados.
A ponte é só o começo da reta final. Faltam cinco dias para o segundo turno, e Pernambuco e Bahia, juntos, somam milhões de votos que podem decidir a eleição. Lula sabe disso e foi buscar o eleitor onde ele está: no Sertão, no calor, no meio da rua. Se o símbolo vai virar voto, quem responde é o domingo.
Por: TonyLucas/ focobr.com




