O papel da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda é uma incógnita, mesmo depois da trégua declarada por ambos após protagonizarem atritos públicos. As possibilidades aventadas nos bastidores vão de um apoio discreto à campanha até mesmo ao posto de vice, defendido por uma ala da legenda.
Interlocutores de Michelle e de Flávio consultados pela CNN afirmam que a dobradinha na chapa presidencial é um cenário improvável neste momento. O senador terá sua candidatura oficializada neste sábado (25), na convenção do PL, em São Paulo, mas com o vice indefinido e sem anúncio de alianças partidárias.
Como mostrou a CNN, Michelle não deve comparecer à convenção nacional do PL. A expectativa é que ela faça alguma participação por vídeo, enquanto Flávio destaque a importância da ex-primeira-dama em seu discurso.
Aliados de Michelle afirmam que a candidatura ao Senado é o caminho natural da ex-primeira-dama. A ex-presidente do PL Mulher também estaria disposta a subir em palanques, gravar vídeos para a propaganda eleitoral gratuita e contribuir para a elaboração do programa de governo.
O tamanho da participação de Michelle, porém, depende do próprio Flávio e do espaço que ele dará à madrasta. Apesar do aceno público, a ex-primeira-dama exige uma conversa para delimitar sua atuação.
Ao gravar um vídeo dizendo aceitar as desculpas do senador, a ex-primeira-dama convidou o parlamentar para “sentar e conversar”. Aliados de Flávio, por sua vez, dizem não haver pressa para esse encontro.
Para uma ala do bolsonarismo, no entanto, a chapa puro-sangue formada por Flávio e Michelle — um ativo importante junto ao eleitorado feminino e evangélico — seria o movimento capaz de sacudir a corrida presidencial caso o PL não consiga fechar alianças e diminuir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira mostra o petista com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 43% do senador.
O QG da campanha de Flávio evita falar em uma chapa puro-sangue e, apesar das resistências das cúpulas do Republicanos e da federação União Progressista, ainda aposta em um acordo. A meta é intensificar as negociações até a realização das convenções dessas legendas.
Do Republicanos, o nome mais citado para o posto é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, coordenadora do programa econômico de Flávio. Na União Progressista, que já disse não ter interesse na aliança, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é a favorita para vice. Ela foi ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro e, na avaliação do time de Flávio, acrescentaria senioridade ao projeto presidencial.

