Onde foi parar 65 bilhões do petróleo da Venezuela?Dizem estar nas contas de Trump que tem espandido negócios junto com os filhos

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Onde foi parar 65 bilhões do petróleo da Venezuela?Dizem estar nas contas de Trump que tem espandido negócios junto com os filhos
Republican presidential candidate, Sen. Marco Rubio, R-Fla., right, right, speaks to Republican presidential candidate, businessman Donald Trump during a commercial break during the CBS News Republican presidential debate at the Peace Center, Saturday, Feb. 13, 2016, in Greenville, S.C. (AP Photo/John Bazemore)

O governo dos Estados Unidos sumiram com mais de US$ 13 bilhões, aproximadamente R$ 65 bilhões, arrecadados com as vendas do petróleo da Venezuela desde que assumiu a gestão das exportações do país, em janeiro de 2026. Apesar do volume bilionário, Washington não apresentou uma prestação pública de contas que permita saber quanto desse dinheiro efetivamente retornou à economia venezuelana.

O cálculo foi publicado pelo jornal britânico Financial Times, que analisou dados de embarques reunidos pela plataforma Kpler e estimativas de preços da agência especializada Argus Media.

Segundo o levantamento, as cargas venezuelanas cujos preços estavam diretamente disponíveis somaram cerca de US$ 11,5 bilhões. Ao estimar o valor dos demais barris exportados desde janeiro, o jornal chegou a uma receita superior a US$ 13 bilhões.

O governo venezuelano criou uma página para registrar os recursos recebidos. Até a publicação da reportagem, porém, o sistema exibia somente uma operação: uma transferência de US$ 300 milhões realizada em março.

Isso não significa necessariamente que nenhuma outra quantia tenha sido utilizada. Uma autoridade do Departamento de Estado afirmou, em abril, que US$ 3 bilhões já haviam sido enviados ao país. Washington, entretanto, não publicou extratos, destinatários ou uma auditoria capaz de demonstrar como o valor foi distribuído.

Estados Unidos assumiram o controle do petróleo da Venezuela

A gestão das receitas foi estabelecida depois da operação militar de 3 de janeiro que capturou Nicolás Maduro e o retirou do país. Delcy Rodríguez, então vice-presidente, assumiu o comando, enquanto o governo de Donald Trump suspendeu parcialmente sanções e centralizou em contas norte-americanas os pagamentos pelas exportações.

A medida confirmou uma estratégia que já havia sido anunciada. A Fórum mostrou que os Estados Unidos pretendiam controlar “indefinidamente” as vendas do petróleo da Venezuela, principal fonte de divisas do país sul-americano.

Trump também declarou que os EUA deveriam “administrar” a Venezuela e explorar suas reservas por muitos anos.

Em 9 de janeiro, o presidente norte-americano assinou a Ordem Executiva 14373, que determinou a manutenção das receitas em contas designadas do Departamento do Tesouro.

A própria ordem executiva da Casa Branca reconhece que os valores são propriedade do governo da Venezuela, e não dos Estados Unidos. Apesar disso, qualquer utilização do dinheiro depende de autorização das autoridades norte-americanas.

Dinheiro venezuelano subordinado à política externa dos EUA

O documento determina que os desembolsos sejam realizados conforme decisões do secretário de Estado dos EUA. O governo Trump apresentou versões diferentes sobre a operação: a ordem executiva classifica os Estados Unidos como responsáveis pela custódia, mas o próprio presidente já afirmou que seu país estava ganhando dinheiro com o negócio.

As contradições provocaram cobranças no Congresso. A deputada republicana María Elvira Salazar defendeu a publicação de relatórios, enquanto o democrata Joaquín Castro acusou o governo Trump de controlar bilhões sem transparência.

As dúvidas são ampliadas pelo desempenho da economia. A flexibilização das sanções e o fim dos descontos no mercado paralelo deveriam ter provocado uma entrada expressiva de dólares. No entanto, o crescimento de 2,5% registrado no primeiro trimestre foi o menor em quase cinco anos, segundo economistas ouvidos pelo Financial Times.

R$ 65 bilhões sob custódia durante a reconstrução

A falta de transparência ganhou uma dimensão ainda mais grave após os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram Caracas e o estado de La Guaira em 24 de junho. Um mês depois, o balanço oficial aponta aproximadamente 5,4 mil mortos e 16,7 mil feridos.

Banco Mundial estimou em US$ 19,6 bilhões os danos físicos diretos provocados pelos terremotos. O volume do petróleo da Venezuela controlado por Washington equivale a cerca de dois terços dos danos calculados na infraestrutura.

Fórum mostrou que 190 edifícios desabaram e outros 856 foram atingidos em La Guaira, região mais afetada pelo desastre.

Controle econômico avança junto com presença militar

O domínio sobre as receitas ocorre ao mesmo tempo em que os Estados Unidos mantêm mais de 900 militares em território venezuelano para a operação de resposta aos terremotos. Tropas, aeronaves e embarcações passaram a operar no principal aeroporto do país e no porto de La Guaira.

Uma delegação formada por militares e especialistas israelenses também atuou durante semanas na Venezuela, mas a missão foi encerrada depois de ter sido prorrogada a pedido do governo de Delcy Rodríguez.

Leia também: EUA mantêm mais de 900 militares na Venezuela; missão de Israel termina

A presença estrangeira não anula a importância da ajuda prestada às vítimas. Entretanto, a combinação entre tropas instaladas em pontos estratégicos e o controle direto sobre a principal fonte de receita do país revela uma relação profundamente desigual.

A ordem assinada por Trump afirma que o dinheiro continua pertencendo a Caracas. Enquanto Washington não publicar uma prestação integral das contas, porém, permanecerá sem resposta a pergunta central levantada pelo Financial Times: onde estão os bilhões produzidos pelo petróleo da Venezuela?

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