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O Preço da Indecisão: Rueda Bate o Pé por Dudu da Fonte e Encurrala Raquel Lyra em Brasília

Por Tony Lucas

O custo político de sentar em cima do muro e adiar definições cruciais costuma ser cobrado em moeda forte nos bastidores de Brasília. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), sentiu o peso dessa fatura durante uma tensa reunião na capital federal. O encontro, que reuniu o presidente do PSD, Gilberto Kassab, Ciro Nogueira, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e lideranças do bloco União-PP-PSD, terminou sem o acordo desenhado pelo Palácio do Campo das Princesas para a composição da chapa majoritária.

O nó cego da negociação atende pelo nome de Antônio Rueda. Dono de uma das canetas mais pesadas da política nacional, o dirigente partidário bateu o pé e impôs uma condição inegociável: a vaga ao Senado na chapa governista deve ser do deputado federal Eduardo da Fonte (PP).

O Sacrifício de Miguel Coelho

A exigência de Rueda cai como uma bomba nos planos de Raquel Lyra, que vinha costurando os bastidores para emplacar seu preferido, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil). A manobra do comando da federação essencialmente rifa o nome de Miguel, evidenciando o pragmatismo frio que dita o ritmo das alianças para o próximo ciclo eleitoral.

O impasse expõe uma fragilidade nítida na articulação política do governo estadual. Ao evitar assumir as rédeas do processo com antecedência e postergar a liderança de um bloco que clama por direções claras, a governadora abriu o flanco para que as forças partidárias de peso nacional ditarem as regras do jogo no quintal de Pernambuco.

O Pragmatismo das Legendas vs. O Marketing Oficial

Enquanto o marketing oficial tenta passar uma imagem de calmaria e controle, a realidade dos fatos mostra um cenário de isolamento técnico na mesa de negociações. Ciro nogueira, Kassab e Rueda jogam xadrez pensando no tabuleiro nacional e no tamanho de suas bancadas; sem uma postura firme de liderança por parte de Raquel, Pernambuco vira moeda de troca. Já que falei, nadar é o que parece, vou abrir um parêntese: “Os hospitais não são o que dizem nos filmes do governo, não, quer ver? Entre em um, qualquer um.”

Eduardo da Fonte, experiente nas águas profundas do poder e com o PP integralmente sob seu controle no estado, ganha uma musculatura difícil de ser contestada pela governadora neste momento. Para Miguel Coelho, resta o gosto amargo de ver sua viabilidade ser testada ao limite pela falta de um gesto incisivo de quem deveria comandar a coalizão.

A comitiva pernambucana deixa Brasília sem a foto do aperto de mãos e com um problemão para resolver em casa. O recado das lideranças nacionais foi dado: quem não lidera, é liderado.

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