Um filme muito mais interessante pelo que aconteceu ao seu redor do que pelo que realmente oferece.
Há dois anos chegou às salas de cinema um filme bastante pequeno para os padrões de Hollywood, mas que, na hora da verdade, teve um sucesso tão impressionante que o natural seria partir logo para uma sequência. De fato, o livro original a tem — mas todo o conflito que houve entre seus dois protagonistas tornou isso praticamente impossível. Estou falando de É Assim Que Acaba, que está disponível no Prime Video.
A questão é que a relação entre Justin Baldoni — que também exerceu a função de diretor — e Blake Lively não foi nada positiva durante as filmagens. Tanto é assim que a atriz processou Baldoni poucos meses após a estreia por assédio sexual e intimidação. Ele revidou com pouco sucesso e também entrou com uma ação judicial que acabou não resultando em nada.
Os bastidores de É Assim Que Acaba
Ainda assim, a maioria das acusações apresentadas por Lively acabou sendo arquivada numa batalha judicial repleta de momentos inesquecíveis, como quando o advogado de Baldoni acusou Ryan Reynolds de fazer uma paródia de seu cliente com o Nicepool de Deadpool & Wolverine. No entanto, toda a fofoca cessou de forma bastante morna com um acordo extrajudicial que punha fim a dois anos de disputas.
O curioso é que É Assim Que Acaba foi realmente um sucesso comercial monstruoso, arrecadando mais de 350 milhões de dólares no mundo todo ante um orçamento de apenas 25. Tudo isso antes de a polêmica entre Baldoni e Lively vir a público — embora já houvesse certa controvérsia e algumas acusações de que ela teria tentado se apropriar do filme —, ainda que por motivos que me escapam um pouco, já que se trata de um filme bastante discreto.
Sony Pictures
O que chamou atenção em seu momento foi a aparente tentativa de vendê-lo como uma comédia romântica quando, na realidade, é a história de como um romance aparentemente idílico desemboca em violência doméstica e abuso emocional. Que ironia que justamente tudo isso que mencionei tenha acontecido durante as filmagens de um filme sobre esses temas.
Na tela, menos do que a polêmica promete
O resultado é um filme que tende para um melodrama um tanto sensacionalista, dando a sensação de estar mais interessado em oferecer uma abordagem acessível e comercial do que em se aprofundar no lado mais cru de uma narrativa com muito menos força do que deveria ter. É claro, essa é a minha opinião e haverá quem pense o contrário.
Se você o deixou passar nos cinemas e ao menos sente curiosidade por tudo que envolveu Baldoni e Lively após sua estreia, agora você tem uma boa oportunidade de ver até que ponto isso se reflete nas respectivas atuações dos dois em É Assim Que Acaba.
