247 – O pré-candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou na terça-feira (21), em publicações nas redes sociais, que recusou pedidos de reunião feitos por Daniel Vorcaro quando ainda comandava o Ministério da Fazenda. Segundo Haddad, ele já possuía informações preocupantes sobre a situação do Banco Master e, por isso, decidiu não receber o então controlador da instituição financeira.
Segundo Haddad, Vorcaro tentou estabelecer contato por diferentes meios, mas nunca utilizou os canais institucionais do governo. O ex-ministro afirmou ainda que já havia analisado o balanço do Banco Master e recebido informações preocupantes do mercado financeiro antes das tentativas de aproximação.
“Vorcaro tentou se aproximar de mim por vários caminhos, mas nunca pelo caminho oficial. Eu já havia analisado o balanço do Banco Master e recebido informações preocupantes do mercado financeiro. Por isso, não o recebi: não tinha o que conversar com ele”, escreveu.
Haddad também afirmou que, com o passar do tempo, os pedidos de audiência passaram a ser acompanhados de mensagens que sugeriam consequências para o sistema financeiro caso algo acontecesse com Vorcaro. Na avaliação do ex-ministro, investigações criminais não podem ser tratadas como questão política.
“Depois, os pedidos de audiência passaram a trazer recados implícitos de que, se algo acontecesse com ele, o caos se instalaria. Mas o Brasil não pode passar pano nem politizar investigações criminais. É preciso investigar e punir quem errou”, declarou.
Na sequência, Haddad também defendeu a atuação da Polícia Federal durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Até aqui, a Polícia Federal tem atuado com ampla autonomia no governo Lula: investiga, apura, comprova, processa e prende quando necessário”, completou.
Vorcaro via Haddad como obstáculo
Conforme revelou a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Daniel Vorcaro via Fernando Haddad como um dos principais obstáculos aos interesses do Banco Master. O ex-banqueiro atribuía ao então ministro da Fazenda e ao presidente Lula o respaldo político às ações de órgãos como o Banco Central e a Polícia Federal, que culminaram na liquidação do Banco Master.
Segundo a apuração, Vorcaro também manifestava preferência por uma eventual vitória eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a quem considerava um aliado político. Ele avaliava que um governo liderado pelo parlamentar seria mais favorável aos interesses do mercado financeiro e menos rigoroso em relação às investigações envolvendo o banco.
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