Mensagens atribuídas a Frederico Kachar, presidente da Editora Globo, e ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passaram a circular nas redes e reacenderam o debate sobre a relação entre grandes grupos de comunicação e o dono da instituição financeira. Nas conversas, o executivo aparece enviando links de reportagens e perguntando se o resultado agradou. A resposta do banqueiro, segundo os prints, foi: “Ficaram ótimas, obrigado!”.
Em um dos diálogos, Kachar encaminha a Vorcaro o link de uma reportagem da Vogue Brasil, publicada em outubro de 2024, sobre a Happy Aging, empresa de longevidade fundada por Martha Graeff, que na época mantinha relacionamento com o banqueiro. Minutos depois do envio, Vorcaro agradece e elogia o conteúdo. O executivo responde “Que bom!” e pede que o banqueiro avise se faltou algo na publicação.
Outras capturas mostram conversas sobre a cobertura do Banco Master por veículos do grupo. Em setembro de 2024, o executivo envia a Vorcaro uma reportagem do Valor Econômico sobre o banco e pergunta se ele não iria comentar. O banqueiro diz que os jornalistas fizeram um bom trabalho, mas que o texto não foi positivo para a instituição, e afirma precisar de uma matéria muito boa para criar o que chama de “gordura de mídia”.
Nas mesmas trocas, Kachar rebate e sustenta que a reportagem apresentou os dois lados, ao citar o evento extraordinário e o aumento das provisões do banco, e que não seria possível fazer uma matéria sem considerar todos os fatos. Segundo as mensagens, ele também propôs pautas e ofereceu uma entrevista com o presidente da Veste, empresa na qual Vorcaro dizia ter participação, além de discutir patrocínios a eventos como o Baile da Vogue e o Carnaval.
As imagens foram divulgadas pelo humorista Antonio Tabet, em seu perfil no X, e repercutidas por veículos como a Revista Fórum e o Brasil 247. A própria Fórum informou que não conseguiu confirmar a autenticidade, a origem e a integridade dos prints, razão pela qual o conteúdo é tratado como mensagens atribuídas aos envolvidos. Também não há, nos registros, a descrição de pagamento, contrato ou venda de reportagens.
Os textos que repercutiram o caso afirmam que as mensagens, por si sós, não provam que as publicações foram compradas, que Vorcaro ditou o conteúdo ou que houve interferência indevida na apuração dos jornalistas. Até a publicação desta matéria, não havia manifestação da Globo nem de Kachar sobre o assunto. O espaço segue aberto para posicionamento.
Por: TonyLucas/ focobr.com




