Por: Tony Lucas
O cenário eleitoral em Pernambuco passou por fortes trepidações nas últimas horas, mas caminha para uma consolidação definitiva em torno da pré-candidatura de João Campos (PSB) ao governo do Estado. O estopim da crise foi aceso após declarações do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, que sugeriu em entrevista que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotaria uma estratégia de “palanque duplo” no estado, dividindo suas atenções entre o ex-prefeito do Recife e a atual governadora, Raquel Lyra (PSD).
A fala caiu como uma bomba nos bastidores da articulação política e irritou profundamente João Campos e a cúpula do PSB, que trata a disputa pernambucana como prioridade máxima e estratégica no xadrez nacional. O mal-estar exigiu uma rápida operação de contenção de danos por parte do governo federal e do próprio Partido dos Trabalhadores. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, veio a público por meio de nota oficial para desautorizar a fala do ministro e reafirmar, categoricamente, que Lula terá um único palanque no estado: o de João Campos.
Para selar a paz e desfazer o ruído, o próprio ministro Wellington Dias telefonou para João Campos para se desculpar formalmente, reconhecendo que sua colocação foi um erro de interpretação e que o compromisso integral do governo está mantido com a frente socialista.
Com o mal-estar superado e o alinhamento político consolidado, o Palácio do Planalto prepara uma gravação oficial do presidente Lula manifestando apoio explícito à pré-candidatura de Campos. Diante do favoritismo que o pessebista já carrega nas pesquisas de intenção de voto e agora com a garantia do palanque único e da imagem de Lula vinculada inteiramente à sua campanha, os líderes da coalizão de esquerda e centro-esquerda em Pernambuco elevaram o tom de otimismo. Nos bastidores, a leitura é de que a união total de forças pavimenta o caminho para liquidar a fatura e garantir a vitória na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas logo no primeiro turno.
Ainda há muito que acontecer durante esses meses de caminhada até o dia do voto. As campanhas tem suas pesquisas e seus modos de ver os cenários em cada lugar. Os movimentos são estudados e articulados de acordo com o que se ler nos numeros.
Pernambuco é a terra de Lula e não se imagina Lula perdendo em Pernambuco.
